Irlanda vota tratado que define futuro da UE

A Irlanda realiza na quinta-feira umreferendo que vai decidir o destino de um tratado escrito paraagilizar o processo decisório na União Européia. A Irlanda é o único entre os 27 membros da UE a submeter otratado a referendo, o que significa que um país com menos de 1por cento da população total do bloco, de 480 milhões depessoas, pode impedir a reforma institucional. Pesquisa divulgada na semana passada mostra o "não" àfrente pela primeira vez, o que provocou consternação emBruxelas, sede da UE, que precisa da ratificação de todos osmembros para implementar o tratado, criado para substituir aConstituição européia rejeitada nos referendos de 2005 naFrança e na Holanda. O novo tratado, desenhado para melhorar a maneira que obloco em expansão é dirigido, cria uma Presidêncua de longoprazo do Conselho Europeu e dá mais força ao chefe da políticaexterna do bloco. Ele também desenvolve um sistema maisdemocrático de votação e dá mais voz aos parlamento nacional eeuropeu. A última pesquisa antes do referendo, divulgada no fim desemana, mostra um avanço da resistência ao Tratado de Lisboa,embora o "sim" estivesse ligeiramente à frente. Políticos dizem que a União Européia não tem um "plano B"para o caso de rejeição do tratado, pois este já foi criadocomo substituto da frustrada Constituição. A maioria dos políticos, empresários, sindicalistas egrupos agrícolas da Irlanda defende o voto no "sim", mas admiteque o resultado deve ser apertado, pois o complexo texto dotratado é de difícil explicação para os eleitores. "É verdade que não tem sido fácil para o povo", disse oprimeiro-ministro Brian Cowen em entrevista publicada pelojornal italiano La Stampa. "Na última semana, vi claros sinaisque mostram um conhecimento do que significa o Tratado deLisboa e a necessidade de expressar isso de forma positiva." Mary Dolan, 52 anos, que trabalha no combalido setorirlandês da construção civil, discorda, dizendo que ninguém lheexplicou direito o tratado, e por isso ela votou "não". "Muitos políticos irlandeses não quiseram ficar no ladoerrado dos partidos europeus, não quiseram levar um tapa namão", disse ela após votar na rua Pearse, uma área do centro deDublin onde moradias populares se misturam a novíssimosempreendimentos imobiliários.

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