Irlandeses aprovam tratado reformador da UE, dizem autoridades

Eleitores irlandeses aprovaram o tratado reformador de Lisboa da União Europeia, disseram neste sábado o ministro das Relações Exteriores da Irlanda e grupos de oposição, removendo um obstáculo às ambições da UE de aumentar sua influência global.

DARREN ENNIS E PADRAIC HAL, REUTERS

03 de outubro de 2009 | 10h26

A aprovação, que chega um ano depois de os irlandeses terem rejeitado a proposta, colocará pressão na Polônia e República Tcheca para seguirem outros líderes da UE e apoiarem um tratado que tem como finalidade facilitar a tomada de decisões do bloco, que possui 27 países membros.

"Estou feliz pelo país. Parece uma vitória convincente pelo lado do 'Sim' desta vez," afirmou o ministro das Relações Exteriores, Michael Martin, em rádio nacional.

O líder do grupo Libertas, contrário ao tratado, afirmou que os eleitores aprovaram o pacto.

"Essa é uma vitória muito convincente," disse Declan Ganley a repórteres no maior centro de contagem de votos de Dublin. "Claro que estou decepcionado. Acho que cometemos um erro."

Fiscais ainda contavam votos após o referendo de sexta-feira sobre o tratado, que exige a aprovação de todos os Estados membros para poder ser aplicado. Resultados oficiais são esperados para a tarde deste sábado.

A radio estatal RTE informou que os distritos eleitorais como o Centro e o Nordeste de Dublin votaram 56 por cento a favor, enquanto na cidade de Galway as indicações preliminares colocavam o "Sim" com 63 por cento.

O clima estava calmo após uma dura campanha que envolveu os principais partidos políticos do país contra grupos antiaborto, pacifistas e britânicos céticos em relação à UE.

O governo irlandês montou o segundo referendo devido à pressão de líderes da UE e da Comissão Europeia, braço executivo do bloco, em Bruxelas.

A votação ocorreu após alertas de celebridades, políticos e líderes empresariais de que um segundo "Não" arruinaria a reputação irlandesa enquanto o país combate a recessão.

Muitos eleitores se disseram mais propensos a apoiar o tratado desta vez devido à crise econômica, durante a qual a ajuda da UE auxiliou a frear os impactos na Irlanda.

O tratado cria dois novos postos: um presidente de longo prazo do Conselho Europeu de líderes da UE e um chefe de política externa.

A intenção é aumentar a influência do bloco, que representa 495 milhões de pessoas, enquanto a balança do poder muda após a crise financeira, dando à China e a outras potências emergentes mais voz ativa.

Agora, líderes da UE devem colocar pressão sobre os líderes de Polônia e República Tcheca para ratificarem o tratado.

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