Irlandeses estão divididos sobre pacote de ajuda, diz pesquisa

Mais de 50 por cento dos irlandeses apóiam o bilionário pacote de ajuda da União Europeia e do FMI, mas acreditam que o país perdeu sua soberania ao aceitar a ajuda externa, apontou uma pesquisa publicada neste sábado.

REUTERS

18 de dezembro de 2010 | 11h35

A Irlanda foi forçada a recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI), à União Europeia e ao Banco Central Europeu (BCE) para negociar um empréstimo de 85 bilhões de euros após a crise no setor bancário do país afundar a economia e afetar a zona do euro.

Os irlandeses enfrentarão anos de redução de gastos e aumento de impostos, como parte de um esforço de austeridade de quatro anos destinado a cortar 15 bilhões de euros do maior déficit entre os países europeus. As medidas têm início com um pacote de orçamento recorde de 6 bilhões de euros em ajustes para 2011.

Perguntados se apoiam a ajuda, 51 por cento dos irlandeses disseram ter recebido bem o pacote, 37 por cento afirmaram que não, e 12 por cento não souberam responder, apontou pesquisa Irish Times/Ipsos MRBI.

Dos 1.000 entrevistados, 56 por cento disseram que Dublin entregou sua soberania ao aceitar o acordo, enquanto 33 por cento disseram que não e 11 por cento não tinham opinião.

Brian Cowen, o primeiro-ministro mais impopular da Irlanda dos últimos anos, deve sair derrotado de eleições gerais que serão realizadas no início do próximo ano, devido às suas ações durante a crise.

Pesquisas de opinião indicam que o partido opositor Fine Gael, de centro-direita, formará um governo de coalizão com o partido Trabalhista, de centro-esquerda, após a próxima eleição, provavelmente em fevereiro ou março.

O Parlamento irlandês aprovou o pacote de ajuda na quarta-feira em meio à ameaças da oposição de renegociar o acordo, mas diante da dependência da Irlanda no pacote de ajuda para fortalecer seus bancos e financiar seu déficit, e por já ter concordado em metas fiscais rígidas, sua margem de manobra pode ser limitada.

A pesquisa de sábado mostrou que eleitores que apoiam o partido Fianna Fail, de Cowen, eram os que mais aprovavam o pacote e a maioria deles não acreditava que Dublin tenha aberto mão de sua soberania.

Eleitores do Fine Gael e do Trabalhista também declararam apoio ao pacote, mas afirmaram que a soberania foi perdida, informou o Irish Times.

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