Irmão de atirador francês é levado a Paris para interrogatório

O irmão do militante que matou sete pessoas na França foi transferido para Paris neste sábado para novo interrogatório e uma fonte da polícia revelou que ele disse se sentir "orgulhoso" das matanças promovidas pelo irmão, morto num tiroteio com a polícia francesa.

REUTERS

24 Março 2012 | 13h35

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, convocou ministros e chefes de polícia para uma reunião neste sábado para discutir as conseqüências do massacre perpetrado por Mohamed Merah, de 23 anos, que agiu inspirado na rede al Qaeda. A matança levantou sérias questões de segurança nacional a apenas quatro semanas da eleição presidencial francesa.

Sarkozy tem pela frente a batalha pela reeleição e seu chefe de inteligência procurou se desvencilhar de perguntas da imprensa sobre o modo como foi conduzido o caso na cidade de Toulouse, sudoeste do país.

Abdelkader Merah, irmão mais velho de Mohamed,que morreu numa saraivada de disparos da polícia na quinta-feira, foi levado de carro de um quartel da polícia em Toulouse para a capital, com sua mulher, disseram fontes do Judiciário.

Ambos foram presos na terça-feira quando os negociadores procuraram sua ajuda para tentar persuadir Mohamed Merah a se entregar. A mãe deles, também detida naquele dia, provavelmente será libertada mais tarde neste sábado, segundo a mesma fonte.

Mohamed Merah foi morto por um atirador da polícia depois de um confronto com a polícia que pôs fim a mais de 30 horas de cerco a seu apartamento em Toulouse, durante o qual ele admitiu ter matado três crianças judias, um rabino e três soldados, em três ataques separados.

Abdelkader Merah e sua mulher, cujo nome não foi divulgado, foram transferidos para um centro de detenção da agência interna de inteligência, em Paris, e pedirão a um juiz que decida se há base para abrir um procedimento legal sobre uma possível ligação deles com os ataques de Mohamed Merah, informou uma outra fonte.

De acordo com o promotor público que conduz o caso, a polícia encontrou explosivos em um carro de propriedade de Abdelkader. Ele já era conhecido dos serviços de segurança por ter ajudado a levar clandestinamente militantes islâmicos para o Iraque, em 2007.

Uma fonte policial disse neste sábado que numa audiência a portas fechadas em Toulouse ele se declarou "orgulhoso" das matanças do irmão e admitiu tê-lo ajudado a roubar a scooter utilizada em todos os crimes. Mas ele negou ter conhecimento dos planos assassinos do irmão, acrescentou a fonte.

O chefe do setor de inteligência francês, Bernard Squarcini, declarou na sexta-feira ao diário Le Monde que não há evidências de que Mohamed Merah pertencesse a alguma rede extremista islâmica e que aparentemente ele se tornou um fanático que agiu sozinho.

Mas os investigadores ainda estão tentando verificar se Mohamed Merah, francês de origem argelina, teve algum apoio ideológico ou logístico ou de fato era apenas um "lobo solitário".

O irmão de Mohamed Merah e também uma irmã estudaram o Alcorão no Egito, em 2010, e a polícia francesa encontrou no passado ligações entre eles e um grupo radical islâmico com sede no sul da França, liderado por um francês nascido na Síria e conhecido pela mídia francesa como "O Emir Branco" por causa de sua barba e cabelo.

Os ataques mudaram o foco do debate político na França, antes centrado em questões econômicas, e fortaleceram Sarkozy, que tentará a reeleição em abril, com segundo turno em maio.

Pesquisas mostraram que cerca de dois terços dos eleitores aprovaram o modo como ele conduziu a crise em Toulouse, a qual reduziu a um papel secundário seu principal rival, o socialista François Hollande, que lidera as pesquisas.

(Reportagem de Yves Clarisse e Brian Love)

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