Irmão de Karadzic afirma que captura de ex-líder foi traição

Luka não acredita que Radovan tenha se entregado voluntariamente e diz que agora a família sabe que está vivo

Efe,

22 de julho de 2008 | 00h27

Luka Karadzic, irmão do ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic, detido nesta segunda-feira, deu a entender que sua captura se deveu a uma "traição" e excluiu a possibilidade de que este tivesse se entregado voluntariamente. Veja também:Governo sérvio anuncia a prisão de Radovan KaradzicQuem é Radovan KaradzicSarajevo comemora prisão de KaradzicCronologia dos conflitos nos Bálcãs O massacre de Srebrenica  Entenda os conflitos na região  Em declarações à agência de notícias sérvia Tanjug, Luka Karadzic indicou que a família do suposto criminoso de guerra não sabia nada sobre ele há muito tempo e se mostrou contente: "Pelo menos soubemos após tantos anos que está vivo", afirmou. Ao comentar conjeturas da imprensa de que Karadzic está doente, o irmão disse que "antes se trataria de uma traição que de entrega ou doença", ao destacar que "sempre viveu de uma maneira disciplinada". Os Estados Unidos ofereciam uma recompensa de US$ 5 milhões por informações que levassem à captura de Karadzic. "Entregar-se não é seu estilo", acrescentou o irmão do detido. Também insistiu em que não espera nada de bom, já que considera o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), que julgará Karadzic, injusto, sobretudo depois da absolvição por acusações de crimes de guerra contra sérvios do albanokosovar Ramush Haradinaj e do muçulmano bósnio Naser Oric. Radovan Karadzic, um dos supostos criminosos de guerra mais procurados pela Justiça internacional, foi detido nesta segunda-feira, 21, em uma operação realizada pelos serviços secretos da Sérvia, embora se desconheça, por enquanto, o local de sua detenção. O ex-líder político servo-bósnio, de 63 anos, é acusado pelo Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), entre outros crimes, do genocídio de oito mil bósnio-muçulmanos em Srebrenica e de graves crimes de guerra cometidos durante o ataque a Sarajevo. Segundo a imprensa sérvia, a esposa de Karadzic, Ljiljana Zelen-Karadzic, se mostrou "consternada e perplexa" com a notícia da detenção. A mulher do ex-dirigente servo-bósnio tinha feito no passado vários apelos a seu esposo para que se entregasse à Justiça, ao alegar intensas pressões sobre sua família. Sua casa, em Pale, localidade das proximidades de Sarajevo que foi a sede administrativa servo-bósnia durante a guerra (1992-1995), foi revistada em várias ocasiões pelas forças internacionais na Bósnia, que buscavam informação sobre o paradeiro de Karadzic.

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