Israel quis atacar instalações nucleares do Irã, diz 'Guardian'

Presidente dos EUA se negou a apoiar o país, informaram fontes diplomáticas européias ao jornal 'The Guardian'

EFE,

26 de setembro de 2008 | 10h26

Israel considerou seriamente, no primeiro semestre, lançar um ataque contra as instalações nucleares do Irã, mas o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, se negou a apoiar o país, informaram fontes diplomáticas européias ao jornal The Guardian. O periódico informa que o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, utilizou uma visita feita por Bush em 14 de maio a Israel, por ocasião do 60.º aniversário da criação do Estado judeu, para abordar a questão em uma reunião particular. Além disso, é improvável que o presidente americano mude de opinião sobre esse apoio durante o resto de seu mandato, que acabará em janeiro, acrescenta o rotativo. O Guardian diz que as fontes trabalham para um chefe de Governo europeu que se reuniu com o primeiro-ministro israelense depois da visita que o presidente americano fez a Israel. As conversas entre Bush e Olmert eram tão sensíveis que não houve funcionários que tomassem nota do que estava sendo dito, mas o líder europeu - o qual não é identificado pelo periódico - divulgou a seus funcionários o que o político israelense disse sobre essa reunião. A decisão de Bush de negar seu apoio a um ataque contra o Irã baseou-se em dois pilares. A preocupação com uma resposta iraniana, que provavelmente incluiria ataques contra militares americanos no Iraque e no Afeganistão, e também a dificuldade de que Israel conseguisse desmantelar as instalações nucleares do Irã em uma única ação, o que poderia originar uma guerra de escala maior, indica o jornal. O Irã insistiu em que responderia com a força a qualquer ataque contra o país. Alguns analistas ocidentais acreditam que isto poderia incluir o pedido ao grupo libanês Hesbollah que atacasse os Estados Unidos. "Há uma grande diáspora libanesa no Canadá que deve incluir alguns seguidores do Hesbollah. Eles poderiam entrar nos EUA e agir", acrescentou a fonte. O Guardian afirma que, mesmo se Israel tivesse lançado um ataque contra o Irã sem a aprovação americana, seus aviões não poderiam chegar a seus alvos sem que os EUA conhecessem o percurso aéreo. "A rota mais curta para Natanz (o local onde há uma usina de enriquecimento de urânio) é passando pelo Iraque e os EUA têm o total controle do espaço aéreo iraquiano", afirmou a fonte. Neste contexto, o Irã podia pensar que Bush aprovava a medida de força, com o que havia possibilidades de um ataque contra os EUA, indica o periódico.

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