Itália calcula custos humanos e econômicos de terremotos

A Itália aumentou o imposto sobre a gasolina para ajudar a pagar os danos de um terremoto que assolou o norte do país enquanto os sobreviventes abalados acordavam nesta quarta-feira em uma paisagem de galpões destruídos e fábricas em ruínas.

STE, REUTERS

30 Maio 2012 | 14h15

Durante a noite, 14.000 pessoas dormiram em tendas, abrigos ou carros fora de suas casas destruídas e mais de 60 tremores secundários sacudiram a área ao redor da cidade de Modena, na região de Emilia Romagna.

Algumas pessoas que não foram designadas a um abrigo pelas unidades de proteção civil tiveram de viajar longa distância, como para Verona, a 100 quilômetros, para comprar tendas.

A maioria das 17 vítimas conhecidas morreu sob os escombros, enquanto estavam no trabalho quando um tremor de magnitude 5,8 atingiu o país logo após às 4h (horário de Brasília) na terça-feira, o segundo terremoto forte a atingir a região em nove dias.

Os moradores de uma das regiões mais produtivas da Itália, dominada pelo vale fértil do rio Po, agora estão divididos entre o medo de mais tremores e o receio de perder seus empregos no país que enfrenta uma recessão.

"Depois do primeiro terremoto muitas pessoas voltaram a trabalhar porque há uma crise econômica aqui e eles queriam salvar seus empregos", disse Mauro Baraldini, cujos dois filhos sobreviveram quando as fábricas onde trabalhavam desabaram no terremoto.

"Agora eles vão pensar duas vezes antes de voltar."

Várias fábricas na área ao redor de Modena, uma planície salpicada de fábricas, fazendas e vinhedos, abriram na segunda-feira após uma semana de paralisação devido ao tremor anterior.

O governo Mario Monti, que já impôs medidas de austeridade para evitar uma crise da dívida, informou que estava elevando impostos especiais sobre a gasolina em 2 centavos por litro para financiar a ajuda ao terremoto. Restrições nacionais nos gastos sobre autoridades locais também serão suspensas para as cidades atingidas pelo terremoto.

GOLPE ECONÔMICO

Mirandola, local de nascimento do filósofo renascentista Giovanni Pico della Mirandola e que abriga uma série de empresas biomédicas, foi uma das cidades mais atingidas por ambos os terremotos.

Dois trabalhadores e o proprietário de uma empresa morreram sob os escombros do segundo tremor e, nesta quarta-feira, estavam acabando os suprimentos de um bar local que servia, principalmente, café para as vítimas depois de ter ficado sem sorvete.

Dezenas de moradores que não puderam entrar nas suas casas pedalavam ao redor em suas bicicletas, alguns parando para olhar melancolicamente para o centro da cidade isolado.

"Nós tínhamos colocado os trabalhadores em um regime de demissão temporária, mas nós estávamos trabalhando para fazer as coisas voltarem a funcionar", disse Stefano Rimondi, presidente-executivo da Bellco, do lado de fora de sua fábrica biomédica danificada.

"Esse plano já não existe mais. Este é um grande golpe para nós, mas também para o setor."

O grupo biomédico Sorin, também sediado em Mirandola e que tem ações em bolsa, teve que parar a produção em sua fábrica local.

A associação empresarial italiana Confindustria disse que os dois terremotos, que juntos mataram mais de 20 pessoas, terão um impacto prolongado, somando-se a uma recessão já profunda na terceira maior economia da zona do euro.

A associação de agricultores Coldiretti estima que os danos ao setor agrícola atingirão 500 milhões de euros.

"É um desastre total. Muitas pessoas aqui já estavam sob um regime de demissão temporária por causa da crise. Agora tudo parou e não sabemos quando as coisas vão começar de novo", disse Alex, de 32 anos, que trabalha em uma fábrica de cerâmica perto de San Felice sul Panaro, outra cidade muito afetada.

Um psicólogo foi chamado em San Felice para ajudar os sobreviventes a superar o trauma.

A Itália foi atingida por inúmeros terremotos ao longo dos séculos. Em Irpinia, perto de Nápoles, mais de 2.000 pessoas morreram em 1980 e os tremores secundários duraram anos. Em L'Aquila, onde um terremoto matou cerca de 300 pessoas em 2009, 21.000 moradores ainda não retornaram para suas casas.

O chefe do Instituto Geofísico Nacional, Stefano Gresta, disse que os tremores podem continuar a atingir a região de Modena, localizada no vale do rio Po e pressionada contra as montanhas Apeninas, durante meses.

O ministro do Meio Ambiente, Corrado Clini, afirmou que a Itália deve aprender as lições do fato de que o tremor tinha atingido uma região que era considerada de risco sísmico relativamente baixo. O último terremoto grande em Emilia Romagna foi em 1570.

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