Itália cede barcos para Líbia barrar imigração ilegal

Governo Berlusconi tenta conter ida quase diária de embarcações lotadas de imigrantes africanos

Agência Estado e Associated Press,

14 de maio de 2009 | 09h22

A Itália deu três barcos à Líbia nesta quinta-feira, 14,como parte de um acordo conjunto para interromper o fluxo de imigrantes ilegais na costa italiana. Roma, que trabalha para enfrentar a imigração ilegal, pressiona a Líbia a patrulhar melhor seu litoral, a fim de prevenir a ida quase diária de embarcações lotadas de imigrantes africanos, em busca de uma vida melhor na Europa.

 

Veja também:

Parlamento italiano aprova lei que criminaliza imigração ilegal

Xenofobia italiana chega à gastronomia

Restrições a imigração se espalham pela região

 

A administração do primeiro-ministro conservador Silvio Berlusconi faz do combate à imigração ilegal sua prioridade. A política é uma bandeira da Liga Norte, um partido contrário à imigração, membro da coalizão governista. Pesquisas indicam que muitos italianos vinculam a criminalidade à imigração.

O ministro do Interior, Roberto Maroni, comandou uma cerimônia na cidade portuária italiana de Gaeta para entregar os três primeiros botes à Líbia. Outros três seguirão para os líbios nas próximas semanas, segundo o ministério. Os barcos serão usados em águas líbias e internacionais.

 

O governo pressiona por um pacote de legislação com o Parlamento, que permite multar imigrantes ilegais em até 10 mil euros (US$ 13,670). A lei também prevê prisão para pessoas que alugam casas para imigrantes ilegais. Outra medida prevista é a criação de patrulhas de cidadãos comuns para evitar crimes. As medidas aprovadas na quarta-feira na Câmara dos Deputados necessitam de aprovação do Senado, onde os conservadores de Berlusconi têm sólida maioria.

 

A Itália começou recentemente a enviar navios com imigrantes de volta à Líbia, após interceptá-los em águas internacionais, sem mesmo avaliar seus pedidos de asilo. A ação gerou críticas da agência de refugiados da ONU, do Vaticano e de grupos de direitos humanos.

 

O presidente italiano, Giorgio Napolitano, advertiu nesta quinta-feira contra o que ele qualificou como "uma retórica pública que não hesita em incorporar tons intolerantes e xenófobos".

Tudo o que sabemos sobre:
Itáliaimigração ilegalLíbia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.