Itália convoca eleições para abril; Berlusconi lidera pesquisas

Presidente dissolve Parlamento após fracassada tentativa de formar governo interino com a renúncia de Prodi

REUTERS

06 de fevereiro de 2008 | 13h22

A Itália convocou nesta quarta-feira, 6, eleições antecipadas para meados de abril, abrindo caminho para o eventual regresso ao poder do magnata da mídia Silvio Berlusconi, que tem uma sólida vantagem sobre a centro-esquerda nas pesquisas de intenção de voto. Em uma dramática sequência de eventos, mesmo para os conturbados padrões italianos, o primeiro-ministro Romano Prodi renunciou no mês passado após perder aliados no Senado e, conseqüentemente, a maioria na Casa. Depois disso, fracassaram as tentativas de colocar no poder um governo interino, prevalecendo o apelo de Berlusconi pela realização imediata de eleições.    Berlusconi, de 71 anos, e que é dono também do time de futebol Milan, resistiu aos esforços do presidente italiano, Giorgio Napolitano, para dar posse a um governo de coalizão que reformaria as confusas leis eleitorais do país antes da realização de um novo pleito. "Lamento ter que convocar hoje os eleitores de volta às urnas sem que essas reformas tenham sido aprovadas", afirmou Napolitano depois que ele e Prodi, atual premiê interino, assinaram um decreto dissolvendo o Parlamento três anos antes do inicialmente previsto. O gabinete de governo reuniu-se mais tarde e resolveu marcar as eleições para os dias 13 e 14 de abril, perto da data de pleitos locais que podem ser antecipados para que a votação ocorra de uma só vez, "reduzindo os custos e os inconvenientes", nas palavras de Prodi. Nas pesquisas, Berlusconi, o líder do partido Força Itália que já ocupou o cargo de primeiro-ministro por duas vezes, encontra-se à frente da dividida centro-esquerda - a distância entre os dois blocos chega a 16 pontos percentuais em algumas enquetes. O adversário dele na eleição geral deve ser o prefeito de Roma, Walter Veltroni, de 52 anos, que apoiava um governo interino para mudar as leis eleitorais, responsabilizadas pela fragilidade do governo Prodi, o 61º da Itália desde a Segunda Guerra Mundial. Apesar de o Parlamento italiano já ter sido dissolvido nove vezes antes, apenas em uma delas durou menos que os 20 meses durante os quais Prodi manteve-se, ainda que com dificuldades, à frente do poder. O hoje premiê interino, ex-presidente da Comissão Européia, venceu Berlusconi duas vezes nas urnas e perdeu o poder duas vezes devido à hesitação de seus aliados - os comunistas em 1998 e um partido democrata-cristão, agora. Prodi, de 68 anos, confirmou que não pretende concorrer novamente ao cargo.

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