Itália convoca Exército para enfrentar crise do lixo em Nápoles

O Exército da Itália entrou emação para remover enormes montes de lixo de escolas e das ruasda região de Nápoles, nesta segunda-feira, depois de mais deduas semanas de crise no setor. Manifestantes indignados com os planos de retomada de umlixão em seu bairro enfrentaram policiais que tentavam reabriro local, que receberia os dejetos acumulados nas ruas deNápoles. O primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, deve realizaruma reunião de gabinete ainda na segunda-feira para elaborar umplano de ação na cidade, onde a coleta de lixo viu-separalisada devido a uma combinação de incompetênciaadministrativa, corrupção e ingerência do crime organizado. No mais recente episódio da crise do lixo, que atinge aregião há 14 anos, todos os depósitos de dejeto da região deNápoles atingiram sua capacidade máxima e um imenso incineradorque deveria ter começado a funcionar no final de 2007 continuasendo montado. A coleta de lixo foi interrompida antes do Natal, obrigandoos napolitanos a colocarem seus sacos de lixo em montes cadavez maiores formados nas ruas. Muitas escolas, que deveriam ter retomado as aulas nasegunda-feira, depois das férias de Natal, continuavam fechadaspor motivos de saúde pública, apesar de o Exército ter retiradoo lixo desses locais. Centenas de montes de lixo foram queimadas pelos moradoresda região, alimentando temores de que sejam emitidos grandesníveis de dioxina, uma substância cancerígena. Parte do problema de Nápoles é que grupos do crimeorganizado fizeram da coleta ilegal de lixo uma atividadelucrativa que girou 5,8 bilhões de euros (8,6 bilhões dedólares) em 2006, afirmou um estudo do grupo ambientalistaLegambiente. A Camorra, a máfia napolitana, envolveu-se profundamentecom o transporte e a desova de lixo. Autoridades locais afirmamque o grupo beneficiou-se da crise no setor e pode ter agidopara prolongá-la. Os esquemas de queima e enterro do lixo envolvendo a máfiacontaminaram o meio ambiente de forma tão drástica que osmoradores de algumas áreas da região registram chances de duasa três vezes maiores de desenvolverem câncer de fígado do queos demais italianos, afirmou o Conselho Nacional de Pesquisa daItália. (Por Robin Pomeroy)

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