Itália deve formar novo governo nos próximos dias

O respeitado ex-comissário europeu Mario Monti desponta nesta quinta-feira como favorito para ser indicado nos próximos dias para comandar o governo de emergência na Itália, refletindo a pressa dos políticos para aplacar uma crise que ameaça toda a zona do euro.

PAOLO BIONDI E BARRY MOODY, REUTERS

10 de novembro de 2011 | 17h32

Fontes políticas dizem que Monti pode ser nomeado até domingo para o lugar de Silvio Berlusconi, e logo deverá montar um gabinete de unidade nacional, formado por tecnocratas e por políticos de vários partidos, que terão a tarefa de impor medidas de austeridade fiscal.

Depois de uma hesitação inicial, os líderes políticos aparentemente se puseram em ação ao verem que o custo da dívida italiana chegou na quarta-feira a níveis insustentáveis. Essa pressão também fez com que políticos da bancada governista retirassem sua oposição ao nome de Monti.

Até Berlusconi, que insistia na convocação de eleições antecipadas -- posição que contribuiu com a quarta-feira desastrosa no mercado de títulos --, foi convencido de que o melhor no momento seria a nomeação de um gabinete provisório, segundo fontes do seu partido, o PDL.

O cronograma adotado pelo alarmado presidente Giorgio Napolitano pode levar à renúncia oficial de Berlusconi no fim de semana, encerrando 17 anos de domínio político do extravagante magnata da mídia.

Organizadores de uma conferência marcada para o fim de semana na Holanda disseram que Monti cancelou sua participação a pedido de Napolitano. Uma fonte política em Roma disse que ele irá se reunir na noite de quinta-feira com o presidente.

Monti, de 68 anos, goza de grande prestígio internacional, e há semanas já era visto pelos mercados como o nome mais adequado para ocupar o governo. Fontes políticas estimaram em 90 por cento a chance de ele ser indicado.

Nesta quinta-feira, a Itália conseguiu vender 5 bilhões de euros em títulos com vencimento para um ano, mas teve de pagar um exorbitante juro de 6,087, o maior em 14 anos. Mesmo assim, o bem sucedido leilão e a perspectiva de uma solução rápida para o impasse político parecem ter acalmado os mercados.

O "spread" (diferença) nos juros entre os títulos italianos com vencimento em dez anos e os papéis alemães do mesmo tipo, que servem de parâmetro para o mercado, caiu para 520 pontos-base, um território ainda perigoso, mas abaixo do recorde de 576 registrado na quarta-feira.

Os juros caíram para abaixo do limite psicológico dos 7 por cento, depois de superarem 7,6 por cento na véspera.

Câmara e Senado devem aprovar no sábado ou domingo uma lei de estabilidade financeira que incorpora reformas econômicas exigidas pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional. A aprovação dessas medidas era uma pré-condição imposta por Berlusconi para formalizar a renúncia.

A nova administração deve ser apoiada por uma grande parte do partido de Berlusconi, pelos centristas e pela maior força de oposição, o Partido Democrata, disseram as fontes.

No entanto, eles alertaram que o governo não era um negócio já concretizado e que a situação poderia mudar a qualquer momento. O líder do partido aliado de Berlusconi, a Liga Norte, disse que não iria apoiar Monti.

Napolitano nomeou Monti como um senador vitalício na quarta-feira, em um movimento visto como um sinal de que ele irá pedir ao acadêmico que tente formar um novo governo.

(Reportagem adicional de James Mackenzie, Alberto Sisto, Giselda Vagnoni, Catherine Hornby e Valentina Za, em Milão)

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