Itália dissolve Parlamento e abre caminho para eleições

Governo interino fracassa e presidente tem que ceder à oposição; Berlusconi é favorito ao cargo de premiê

Agêmcias internacionais,

06 de fevereiro de 2008 | 09h16

O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, dissolveu formalmente o Parlamento nesta quarta-feira, 6, segundo um porta-voz, preparando o país para realizar eleições antecipadas, provavelmente em meados de abril. O pleito poderá marcar o retorno ao poder do magnata da mídia Silvio Berlusconi. Veja também:Itália convoca eleições para abril; Berlusconi lidera pesquisas  O presidente tomou a decisão depois que o governo de centro-esquerda do premiê Romano Prodi caiu no mês passado e os esforços posteriores para a formação de um governo interino para mudar as leis eleitorais fracassou. A data da eleição foi confirmada numa reunião de gabinete para 13 e 14 de abril, dando tempo hábil para as campanhas. Pela lei, a eleição tem de ser realizada até 70 dias depois da dissolução do parlamento. O primeiro-ministro interino da Itália, Romano Prodi, confirmou sua decisão de não voltar a se apresentar como candidato nas próximas eleições gerais. "Espero que minha decisão contribua para serenar os ânimos" e que sirva para "uma campanha serena e pacífica". Prodi disse que, no entanto, continuará no Partido Democrático e apoiará o líder dessa legenda, o atual prefeito de Roma, Walter Veltroni. A Itália afundou numa crise política quando o governo Prodi desmoronou em 24 de janeiro depois de apenas 20 meses no poder.  Em uma seqüência dramática de acontecimentos, o premiê Romano Prodi renunciou no mês de janeiro, depois de aliados deixarem sua coalizão e de as tentativas de montar um governo interino fracassarem. Prevaleceram os pedidos de Berlusconi por uma eleição imediata.  A tentativa de Napolitano de conseguir apoio em todos os partidos para reformar as confusas regras eleitorais italianas antes de uma nova eleição enfrentou dura resistência de Berlusconi.  "Lamento hoje ter que convocar os eleitores de volta às urnas sem essas reformas terem sido aprovadas", disse Napolitano após ele e Prodi, hoje o premiê interino, assinarem um decreto para dissolver o Parlamento três anos antes do previsto.  Berlusconi, um bilionário de 71 anos que foi primeiro-ministro duas vezes, aparece com vantagem nas pesquisas de opinião, batendo a fragmentada centro-esquerda de Prodi por até 16 pontos. O ex-premiê rechaçou qualquer acordo para a emergência de um governo provisório, já que as atuais leis eleitorais foram aprovadas no final de seu mandato em 2006 e tendem a beneficiar sua coalizão de centro-direita. O rival dele será o prefeito de Roma, Walter Veltroni, de 52 anos, que havia dado apoio para mudar as regras eleitorais que foram amplamente responsabilizadas pelas fragilidade do governo Prodi. 

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