Itália enfrenta greve nacional de transportes

Maior paralisação dos últimos 25 anos atinge até bondes e carros funerários; 200 vôos são cancelados

BBC Brasil, Valquíria Rey

30 de novembro de 2007 | 08h50

Uma greve nacional no setor dos tranportes públicos provocou caos na vida dos italianos e milhares de turistas nesta sexta-feira, 30. Trens, ônibus, barcos, aviões e bondes, além dos serviços de emergência nas estradas, aluguéis de carros, caminhoneiros e funcionários dos portos paralisaram suas atividades.   A greve geral dos transportes foi organizada pelos inúmeros sindicatos do setor, que reclamam dos cortes de recursos para os transportes e pedem mais atenção sobre a crise em duas grandes empresas: Alitalia, de aviação, e Ferrovie, de trens. Os sindicatos também reivindicam aumentos salariais e renovação de contratos.   Conforme o chefe da Proteção Civil, Guido Bertolaso, trata-se do dia mais caótico que se tem lembrança na história dos transportes italianos. "Uma greve de todas as modalidades de transporte cria dificuldades", afirma ele. "Avisamos o governo que um protesto geral como esse poderá criar problemas também para as situações de emergência."   Em Roma, a paralisação de ônibus, metrô e bondes, começou às 8h30min, deixando muitas pessoas sem qualquer alternativa para chegar ao trabalho.   "Nem sei porque eles estão paralisando as atividades novamente", disse a emprega doméstica brasileira Mara Carvalho da Silva, que mora na capital italiana há sete anos e conseguiu pegar o ônibus até o trabalho no início da manhã, mas ainda não sabe como fará para retornar à casa.  "Como no Brasil, são sempre os mais pobres que pagam o pato. Para quem precisa se deslocar e depende de transporte público, a única garantia é andar a pé."   Minutos antes do horário combinado para a greve, os alto-falantes da empresa de metrô começaram a avisar os passageiros que o serviço terminaria em poucos instantes, e que só seriam retomados no final da tarde.   "É injusto", diz a estudante Chiara Bianchi. "Os sindicatos fazem o que querem, quando querem, sem se preocupar com as pessoas."   Em Fiumicino, aeroporto de Roma, assim como nos demais aeroportos italianos, o protesto, das 11h às 15h, envolve o pessoal de ar e de terra. Durante essas quatro horas, todo o serviço permanecerá bloqueado. Já os funcionários de trens e dos barcos que fazem a coligação com as ilhas italianas cruzarão os braços das 9h às 17h.   Sem uma resposta concreta do governo sobre as reivindicações da categoria, os inúmeros sindicatos dos transportes italianos prometem novas paralisações.     Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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