Itália nomeia 'czar do lixo' para enfrentar crise em Nápoles

Imagens da histórica cidade portuária afogando-se em seu próprio lixo deixaram os italianos chocados

ROBIN POMEROY, REUTERS

09 de janeiro de 2008 | 14h52

Um "czar do lixo" nomeado pelogoverno assumiu na quarta-feira a responsabilidade por resolvera crise envolvendo o setor em Nápoles, cujos moradores isolaramum bairro com barricadas a fim de impedir que se reabrisse alium lixão. Imagens da histórica cidade portuária afogando-se em seupróprio lixo deixaram os italianos chocados e provocaramincômodo dentro do governo de centro-esquerda comandado peloprimeiro-ministro Romano Prodi. A coalizão de Prodi tambémdetém o controle sobre os governos regional e municipal da áreade Nápoles. Na terça-feira, o premiê deu ao ex-chefe nacional depolícia Gianni De Gennaro quatro meses para resolver a crise dolixo na região. No final do ano passado, quase todos os lixõesda cidade, localizada no sul da Itália, teriam atingido suacapacidade máxima. Nápoles encontra-se em "estado de emergência" oficial desde1994, quando o primeiro czar do lixo assumiu a missão de limparo sistema de coleta e transporte de dejetos, controlado pelamáfia local, a Camorra. Passados 14 anos e gastos 2 bilhões de euros (2,94 bilhõesde dólares) dos cofres públicos, a cidade permanece à cata deuma solução. Um imenso incinerador que deveria começar a operarno final de 2007 só entraria em funcionamento em 2009. As autoridades desejam reabrir um lixão do bairro dePianura, fechado há 11 anos, a fim de que o local receba ascerca de 110 mil toneladas de lixo atualmente acumuladas nasruas de Nápoles e de outras cidades da região. Mas os moradores do bairro impedem a entrada de caminhõesde lixo ali e o tráfego está bloqueado desde sábado. O local se parece com uma zona de guerra. "Isso é pior doque Cabul", disse Gianfranco Fini, líder do partido AliançaNacional, de direita, ao visitar Nápoles na terça-feira. Alguns caminhões conseguiram entrar no bairro naquarta-feira a fim de entregar alimentos para lojas. Umamanifestação deve acontecer no centro da localidade, às 17h(14h em Brasília). Caberá a Gennaro decidir sobre o destino do lixão dePianura. O "czar do lixo" terá de enfrentar, além dosmoradores, as autoridades da região, acusadas de ineficiência,corrupção e, em alguns casos, ligação com grupos criminosos quefaturam altas somas com a coleta e o transporte dos dejetos. A deposição de lixo em locais inapropriados e a queimailegal desse material são responsáveis por contaminar a água, osolo e a atmosfera de grandes áreas localizadas ao redor domonte Vesúvio e por provocar uma ocorrência maior de algumasformas de câncer nessa região.

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