Itália planeja retirada em caso de tremor em Áquila durante G-8

Encontro entre os chefes de Estado começa nesta quarta-feira na cidade destruída por terremoto em abril

Associated Press e Ansa,

07 de julho de 2009 | 10h56

Nas vésperas do encontro dos oito governantes mais poderosos do mundo em Áquila, três meses depois do terremoto que destruiu a cidade italiana, as autoridades de segurança italianas prepararam um plano de retirada de emergência no caso de um novo abalo sísmico. A retirada é parte do plano para proteger os chefes de Estado ou governo do Grupo dos 8 países mais industrializados do mundo (G-8), que se reunirão na cidade a partir desta quarta-feira, 8.

 

Milhares de policiais tratarão de evitar os atos de violência como os que atingiram a cúpula realizada em 2001 no país, quando um manifestante morreu e mais de 200 ficaram feridos. O terremoto de 6 de abril, que destruiu vilas inteiras na região de Abruzzo, deixou 296 mortos e mais de 54 mil desabrigados. O premiê Silvio Berlusconi decidiu transferir a reunia para a cidade como mostra de apoio aos atingidos.

 

Porém, réplicas diárias do tremor atingem a região desde o abalo de abril, causando medo na população que está nos acampamentos improvisados. Na última sexta-feira, um abalo de magnitude 4,1 foi registrado a 1 quilômetro do quartel policial que servirá de sede para a reunião e onde estarão hospedados os governantes, entre eles o presidente dos EUA, Barack Obama.

 

"Acredito que serão registradas algumas pequenas réplicas. A terra não vai parar de se mover porque Obama está aqui e voltar a tremer novamente depois do G-8", afirmou Enzo Boschi, presidente do Instituto Nacional de Geofísica, mas destacou que o quartel possui construção contra terremotos e não corre perigo. Guido Bertolaso. chefe de proteção civil responsável pela organização do G-8 e das operações de resgate na região, também descartou os riscos para os governantes. Segundo ele, o quartel resistiu ao tremor de 6 de abril, e sofreria algum dano apenas no caso de "um terremoto de uma força jamais vista em Áquila". "O plano de retirada está preparado, e logicamente temos alojamentos alternativos em outros lugares", confirmou o chefe da polícia nacional, Antonio Manganelli.

 

Expulsão italiana

 

O ministro das Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, criticou hoje o jornal inglês The Guardian, que publicou um artigo cogitando a possibilidade de a Itália ser expulsa do G8 devido à falta de propostas do país enquanto presidente do grupo. "Espero que o The Guardian deixe de ser um dos grandes jornais do mundo", ironizou o ministro. Segundo a publicação, entre os países do grupo - formado pelos sete países mais industrializados e a Rússia - "crescem internamente os boatos de uma expulsão da Itália, porque o planejamento da cúpula caiu no caos".

 

O jornal afirma que os Estados Unidos tiveram que realizar uma videoconferência de preparação da cúpula do grupo, que será realizada entre quarta e sexta-feira, "em uma última tentativa desesperada de inserir alguns objetivos no encontro". Frattini disse ser uma "palhaçada" a notícia de que a cúpula tenha sido organizada pelos Estados Unidos. "É uma tolice", reiterou o chefe da diplomacia italiana. Em seu artigo, o The Guardian ventila ainda a possibilidade de a Itália ser substituída no G8 pela Espanha, que tem uma renda per capita maior.

 

O The Guardian questiona ainda a falta de iniciativas da presidência temporária do G8. O artigo do jornal critica a Itália por não "ter métodos nem programas" para conduzir o grupo. Além de Itália, Rússia e Estados Unidos, compõem o G8 França, Reino Unido, Canadá, Japão e Alemanha.

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