Itália recua em veto a sites hostis após ataque a Berlusconi

A Itália abandonou nesta terça-feira o plano de tirar do ar sites que incitam a violência, em meio à discussão sobre as páginas que surgiram na Internet na semana passada elogiando o ataque contra o premiê Silvio Berlusconi.

SILVIA ALOISI, REUTERS

22 de dezembro de 2009 | 18h52

O ministro do Interior, Roberto Maroni, que havia proposto o bloqueio a sites depois da agressão ao premiê, disse após reunião com executivos do Facebook, Google, Microsoft e outros provedores de serviços da Internet, que vai buscar uma solução por meio de um código compartilhado de conduta, e não por uma nova legislação.

"O caminho a seguir é encontrar um acordo com todos os envolvidos e evitar impor novas medidas à força", disse Maroni a jornalistas.

"Se este acordo for encontrado, será algo inédito no mundo", afirmou, acrescentando que novas discussões serão travadas em janeiro.

Os aliados de Berlusconi ficaram indignados com as páginas - especialmente do Facebook e YouTube - criadas em questão de horas para homenagear Massimo Tartaglia, que bateu no rosto do premiê italiano com uma estatueta após um comício no dia 13 em Milão.

Em nota na semana passada, o Facebook disse que agirá rapidamente para retirar do ar qualquer conteúdo que fizer ameaças diretas contra um indivíduo, mas que "debates pela rede simplesmente refletem o que acontece fora dela, onde as conversas entre as pessoas ocorrem livremente em casa ou por telefone e email".

O Facebook também tirou do ar o maior grupo em favor de Tartaglia, à qual 100 mil usuários haviam aderido em menos de 48 horas, mas na terça-feira ainda havia pelo menos dois grupos pró-Tartaglia na rede social.

Também apareceu no YouTube um vídeo pondo em dúvida a autenticidade do ataque e dizendo que ele foi encenado.

Maroni, do partido ultradireitista Liga Norte, inicialmente prometeu um decreto emergencial para tirar os sites do ar. Mas críticos viram na medida uma forma de censura, comparável a tentativas de controle da Internet por parte dos regimes da China e do Irã.

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