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Itália se despede de soldados mortos no Afeganistão

Funeral dos seis militares reúne milhares em Roma; cerimônia foi transmitida ao vivo nas emissoras de TV

Efe e Reuters,

21 de setembro de 2009 | 10h27

Milhares de pessoas lotaram as ruas de Roma para o funeral de Estado nesta segunda-feira, 21, em homenagem a seis soldados italianos mortos na semana passada por um suicida no Afeganistão, ao mesmo tempo que crescem os apelos no país para a retirada das tropas do território afegão. As perdas do atentado de quinta-feira foram as piores sofridas pelos italianos no conflito, o que reacendeu o debate sobre a missão da Itália naquele país e levou a um importante aliado do governo a pedir que todos os soldados sejam enviados de volta até o Natal.

 

O funeral de Estado ocorreu na Basílica de São Paulo, em Roma, com a presença dos mais altos cargos do país. Os italianos enfrentaram a chuva para acenar com bandeiras e aplaudir quando o cortejo do funeral atravessou Roma. Algumas lojas baixaram as portas em sinal de respeito.

 

Alguns choravam abertamente enquanto os caixões cobertos com a bandeira italiana eram levados à basílica para a cerimônia do funeral, que foi brevemente interrompido por um homem que apanhou o microfone do altar e gritou "Paz Agora! Paz Agora!."

 

Na basílica, esteve presente também todo o governo da Itália, liderado pelo primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi. Ao chegar, o líder cumprimentou os outro quatro militares italianos que ficaram feridos no atentado, cometido com um carro-bomba que explodiu na passagem de dois veículos blindados próximo à embaixada dos EUA em Cabul.

 

A cerimônia - transmitida ao vivo pelas principais redes de TV - começou com um telegrama do papa Bento 16 expressando sua "profunda tristeza" e incluiu uma leitura por um soldado italiano em cadeira de rodas, ao lado do filho de um dos soldados mortos. O tributo terminou com jatos sobrevoando a área enquanto as viúvas deixavam a igreja acompanhadas por militares. Escritórios, escolas e a bolsa de valores de Milão observaram um minuto de silêncio em honra dos soldados.

 

Fotos do filho de dois anos de um dos soldados mortos, usando a boina vermelha dele, foram capa dos principais jornais italianos desta segunda-feira, que relatavam que o garoto havia dito: "Adeus papai," na recepção dos caixões na chegada a Roma, no domingo.

 

Mesmo antes do ataque da semana passada, uma pesquisa já mostrava que 58% dos italianos queriam que as tropas voltassem para o país e 40% acreditavam que a missão tinha se transformado em uma "operação de guerra". Berlusconi disse que a Itália planeja uma "forte redução" em seu contingente de 3.100 militares no Afeganistão, mas não está estudando promover uma retirada unilateral. No entanto, ele está sob crescente pressão de aliados, como Bossi, além da oposição de centro-esquerda.

 

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