Itália se dispõe a receber lésbica iraniana que será repatriada

Se voltar ao país natal, Pegah Emambakhsh pode ser apedrejada

26 de agosto de 2007 | 17h41

As autoridades italianas disseram que estão dispostas a receber Pegah Emambakhsh, uma homossexual iraniana que o Reino Unido deve repatriar na terça-feira para o Irã -embora ela possa ser apedrejada se voltar ao país natal. A imprensa estampou em suas páginas a oferta da Itália de conceder asilo caso as autoridades britânicas decidam deportar a mulher, detida no dia 13 de agosto no centro de imigração de Yarls Wood, no norte da Inglaterra. O ministro da Justiça italiano, Clemente Mastella, anunciou no sábado em Malta "a plena disposição do Governo" em conceder o estado de refugiada à iraniana, de 40 anos. Os ministros de Igualdade de Oportunidades, Barbara Pollastrini, de Solidariedade Social, Paolo Ferrero e de Assuntos Europeus, Emma Bonino, já haviam se demonstrado favoráveis. Em entrevista publicada neste domingo, 26, pelo jornal La Repubblica, Emambakhsh disse que prefere "morrer" a voltar ao Irã. Ela disse temer a pena por apedrejamento à qual seria condenada por ser homossexual, o que chamou de "algo mais horrível e doloroso que a morte". A iraniana denunciou que sua companheira foi interrogada e condenada ao apedrejamento por ser considerada imoral. Emambakhsh deixou dois filhos no Irã e afirmou que fugiu do país em 2005 depois de sua companheira ser presa, pois sabia que acabaria sendo também. Segundo a mulher, as autoridades britânicas decidiram repatriá-la depois que o Ministério do Interior britânico não encontrou sua "declaração de homossexualismo". Grupos de homossexuais e membros dos partidos Democratas de Esquerda, Verdes e Radicais farão uma manifestação na segunda-feira diante da embaixada britânica em Roma para pedir que a mulher não seja deportada.

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