Itália terá medidas especiais para combater 'emergência cigana'

Segundo o 'El País', governo de Berlusconi irá elaborar um censo dos moradores dos acampamentos ciganos

30 de maio de 2008 | 16h50

O ministro do Interior italiano, Roberto Maroni, anunciou na quinta-feira que aprovaria nesta sexta, 30, uma medida que outorgaria aos governantes de Milão, Roma e Nápoles poderes especiais para enfrentar a chamada "emergência cigana". A primeira ação será elaborar um censo dos moradores dos acampamentos ciganos. "Quero saber quantos habitantes há em cada província, e quem está dentro", afirmou Moroni, segundo o jornal espanhol El País.   Veja também: Popularidade de Berlusconi passa dos 50%, diz especialista Governo da Itália torna imigração clandestina crime   Nas últimas semanas, diversas ONGs e organismos internacionais lembraram que nomear comissários especiais para tratar os problemas das minorias somente ajuda a perpetuar a discriminação. A Anistia Internacional e a Liga Anti-Difamação alertaram que a Itália corre grande risco de "ignorar o princípio de responsabilidade individual" ao legislar de maneira específica sobre "grupos e minorias segundo sua nacionalidade", aponta o El País.   O ministro acrescentou que nos acampamentos ciganos "há gente que vive em condições miseráveis, e muitos são menores de idade". "Naturalmente, não entraremos com máquinas e não os destruiremos, mas falta encontrar uma solução". Segundo o jornal espanhol, Maroni calcula que há cerca de 152 mil ciganos vivendo na Itália, dos quais 37% tem nacionalidade italiana.   Najo Adzovic, representante do maior acampamento de Roma, expressou sua oposição as medidas. "O censo é uma farsa, uma desculpa para colocar medo na gente, alertar as famílias e realizar expulsões em massa", disse ao El País. Segundo ele, agora a comunidade cigana está mais desprotegida do que nunca.   Na semana passada o governo do premiê espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, criticou o pacote contra imigração ilegal aprovado pela Itália, que endurece o cerco contra os estrangeiros clandestinos.   O secretário de Estado da Espanha para a União Européia (UE), Diego López Garrido, disse que Madri discorda das reformas, pois "uma lei tão dura deve desviar o fluxo migratório de forma desproporcional para a Espanha".

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