Italianas protestam contra escândalo sexual de Berlusconi

Milhares de manifestantes marcharam em Nápoles e Palermo com cartazes pedindo a renúncia de Berlusconi

CATHERINE HORNBY, REUTERS

13 de fevereiro de 2011 | 12h07

As mulheres italianas fizeram protestos em todo o país neste domingo, atiçadas pelo escândalo sexual do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que dizem ter ferido sua dignidade e reforçado estereótipos de gênero ultrapassados.

Milhares de manifestantes marcharam em Nápoles e Palermo, portando cartazes pedindo a renúncia de Berlusconi e gritando frases como "A Itália não é um bordel", como mostraram imagens de televisão.

Organizados através de uma petição na Internet, os protestos refletem a crescente revolta das mulheres com o premiê, que em breve pode enfrentar um julgamento por conta de um escândalo de prostituição em um país onde as mulheres de classe média são parte significativa de seu eleitorado.

Lideradas por atrizes, políticas e outras mulheres de destaque, as marchas acontecem em mais de 200 cidades por toda a nação eminentemente católica ainda neste domingo. Protestos também foram planejados em outros países, dos Estados Unidos à Grécia.  

"Estamos pedindo a todas as mulheres que defendam o valor de nossa dignidade, e perguntando aos homens: se não agora, quando?", disseram organizadoras no site do protesto.

Na quarta-feira, promotores entraram com um pedido para julgar Berlusconi, acusando-o de pagar por sexo com uma dançarina de clube noturno quando ela era menor de idade, o que é ilegal na Itália.

O político de 74 anos afirmou que as acusações eram "repugnantes e grosseiras" e disse que a promotoria de Milão age com "objetivos subversivos" para atingi-lo.

O escândalo reacendeu clamores da oposição para que Berlusconi renuncie, enquanto ele se agarra ao poder após uma cisão no partido governista PDL no ano passado.

Berlusconi sobreviveu a escândalos sexuais no passado e muitas de suas apoiadoras parecem indiferentes pelo caso mais recente, denunciando o que veem como um ardil puritano e de motivações políticas.

Muitas delas participaram de passeatas pró-Berlusconi nesta semana para mostrar seu apoio.

"Nós o apoiamos de todo coração", disse Stella Falcetta com lágrimas nos olhos em uma manifestação em Milão na sexta-feira. "Porque, como ele diz, o amor vence o ódio."

O presidente Giorgio Napolitano alertou que a tensão política está muito alta e disse a Berlusconi em uma reunião no mesmo dia que a Itália corre o risco de enfrentar novas eleições como resultado.

Vazamentos da investigação aparecem nos jornais há semanas, com referências a pilhas de dinheiro, conversas sobre jogos sexuais e presentes que mulheres recebem após participar de festas na vila de Berlusconi.

As participantes dos protestos dizem que a imagem das mulheres como objetos sexuais afetou as relações entre os gêneros e disseminou uma cultura na qual as mulheres enxergam a exploração de sua beleza como o único caminho para o sucesso.

"Peitos grandes, cintura fina, e sempre disponível: isso se tornou quase uma ditadura, porque a televisão, os jornais só mostram este modelo de mulher", disse Lorella Zanardo, autora de "Il Corpo Delle Donne", livro sobre a imagem da mulher na mídia.

"A imagem da mulher forte e emancipada luta para emergir aqui, mesmo a Itália estando cheia de mulheres assim."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.