Italiano morre após ataque de grupo neonazista em Verona

Vítima morreu no hospital depois de espancamento; esquerda culpa conservadores da direita pelo incidente

Reuters,

05 de maio de 2008 | 15h38

O italiano Nicola Tommasoli, de 29 anos, morreu nesta segunda-feira, 5, vítima de um grupo de jovens identificado pela polícia como neonazista. O espancamento, que aconteceu em Verona, na Itália, deixou o homem gravemente ferido, que não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.   Veja também: Distúrbios e neonazismo marcam Dia do Trabalhador alemão Guinada à direita na Itália   O incidente foi condenado pelos políticos do país. Até agora, os policiais descartam qualquer motivação política no que parece ser um ato de violência isolado. Ainda assim, políticos de centro-esquerda retratam o caso como um sinal da crescente intolerância em uma nação onde o medo do crime - e particularmente dos imigrantes - contribuiu para a vitória da direita nas eleições de abril.   O incidente reforçou os argumentos daqueles que acreditam que o apoio de militantes ajudou a direita a vencer nas urnas, que incluem a prefeitura de Roma. "A responsabilidade é dos populistas da direita", disse Paolo Ferrero, ministro esquerdista do governo provisório, que deve terminar no fim desta semana.   Ele acusou a distante direita de criar "bodes expiatórios" para os problemas sociais da Itália, que "trazem votos em um clima de insegurança, mas que também disseminam um longo caminho para o ódio."   "Nós nos deparamos com uma agressão estilo neofascista que não pode e não deve ser subestimada", disse o ex-candidato a primeiro-ministro Walter Veltroni. Uma pesquisa informal de uma emissora de televisão local mostrou que 51% dos entrevistados acreditam que o ataque em Verona pode iniciar uma nova onda de violência e intolerância.   Resposta da direita   O prefeito de Verona, membro da Liga do Norte - bloco que é anti imigração e apoiou a candidatura de Silvio Berlusconi para premiê -, negou qualquer ligação entre seu partido e o grupo neonazista. "Há milhões de pessoas que votaram em nós. Um deles pode ser criminoso", disse o prefeito, que está tomando severas medidas contra a imigração na cidade.   O novo prefeito de Roma, Gianni Alemanno, pediu a seus partidários para evitarem "excessos" após um pequeno grupo ter lhe dado uma saudação associada ao ditador fascista Benito Mussolini, gritando "Duce!" (líder), forma como os apoiadores de Mussolini o chamavam.   "Devemos condenar qualquer forma de ideologias extremistas, independente de onde venham", disse Alemanno ao visitar monumentos em Roma aos judeus que foram vítimas do nazismo.

Tudo o que sabemos sobre:
neonazismofascimoItália

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.