Jean Charles comportava-se de forma 'agressiva', diz defesa

Advogado insinua que brasileiro agiu de modo suspeito por carregar drogas ou estar com o passaporte ilegal

Reuters,

26 de outubro de 2007 | 14h11

O brasileiro Jean Charles de Menezes, morto dois anos atrás pela polícia britânica, que o confundiu com um homem-bomba, agiu de "forma agressiva e ameaçadora" ao ser abordado pelos policiais, afirmou nesta sexta-feira, 26, um advogado diante de um tribunal de Londres. O assassinato de Jean Charles, 27 anos, morto a tiros quando entrou em um vagão de uma composição do metrô no sul de Londres, foi um "acidente terrível", disse o advogado de defesa da força de polícia da capital britânica, que está sendo julgada sob a acusação de violar leis de proteção ao bem-estar e à segurança da população. O eletricista comportava-se, no entanto, de maneira semelhante à de um homem-bomba em potencial e os policiais não poderiam ser responsabilizados, disse Ronald Thwaites diante da corte. Jean Charles recebeu sete tiros na cabeça em 22 de julho de 2005, disparados por policiais que o confundiram com um dos quatro homens acusados de terem tentado, no dia anterior, realizar atentados no sistema de transporte público de Londres. A tentativa de ataque aconteceu apenas duas semanas depois de quatro jovens islâmicos com cidadania britânica terem detonado explosivos em três composições do metrô e em um ônibus, matando 52 pessoas e a si próprios. Segundo Thwaites, Jean Charles não obedeceu às ordens dos policiais porque poderia estar levando drogas nos bolsos ou estar com algum carimbo falsificado em seu passaporte. "Ele foi morto a tiros porque, quando abordado pela polícia, não obedeceu às ordens, mas reagiu da mesma forma como, segundo haviam sido treinados, reagiria um homem-bomba no momento de detonar seus explosivos", disse o advogado. "Além disso, ele se parecia com um dos suspeitos e comportava-se de maneira suspeita", acrescentou. "Ele reagiu de forma agressiva e ameaçadora, conforme a interpretação dos policiais e conforme o senhor ou eu próprio interpretaríamos aquilo se estivéssemos nas mesmas circunstâncias, menos de 24 horas depois de ter ocorrido uma tentativa de ataque no metrô e em um ônibus", disse. Thwaites também criticou os promotores por terem iniciado o processo, acusando-os de utilizar "truques sujos". A promotoria decidiu no ano passado que não havia indícios suficientes para acusar individualmente nenhum dos policiais envolvidos. Ao invés disso, os promotores deram início a um processo contra a Polícia Metropolitana de Londres.  Segundo os promotores, "falhas chocantes e catastróficas" resultaram na morte de Jean Charles e colocaram em risco outras pessoas.

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