Jean Charles foi morto com táticas incomuns, diz acusação

Advogada afirma que agentes utilizaram armas e munição especiais capazes de causar morte rápida do alvo

Efe,

02 de outubro de 2007 | 10h40

Os oficiais armados que mataram Jean Charles de Menezes tinham recebido instruções de usar táticas novas, mortíferas e "incomuns" para deter possíveis terroristas suicida. A informação é da advogada de acusação Clare Montgomery, que fez a afirmação nesta terça-feira, 2, durante o julgamento da Scotland Yard pela morte do brasileiro. Veja TambémMorte foi um grave erro, mas não um crime, diz advogadoNa segunda audiência do julgamento, Clare disse que a equipe de policiais recebeu pistolas carregadas com uma munição especial capaz de causar uma morte rápida e impedir que a pessoa pudesse reagir. Jean Charles foi morto a tiros em 22 de julho de 2005 na estação de metrô de Stockwell (sul de Londres) por policiais que o confundiram com um terrorista.Segundo a advogada, os agentes receberam instruções em uma reunião especial, realizada duas horas após uma operação de vigilância - também em 22 de julho - em um bloco de apartamentos do sul de Londres, onde se acreditava que vivia o terrorista Hussain Osman, um dos envolvidos nos atentados fracassados de 21 de julho de 2005 contra a rede de transportes da capital britânica.Durante a reunião, os agentes foram informados de que teriam que "usar táticas incomuns que o departamento não tinha usado antes", acrescentou Clare, afirmando que os agentes pensavam que tinham que realizar disparos na cabeça de algum possível suicidaA advogada afirmou ainda que o líder da equipe de agentes armados, que respondia pelo pseudônimo de "Ralph", recebeu a confirmação por rádio que Jean Charles era "definitivamente" quem procuravam, e posteriormente  descobriu-se que era uma pessoa totalmente inocente.A Scotland Yard é processada por crimes contra a lei de Segurança e Higiene no Trabalho, de 1974, que obriga as forças de segurança a velar pela integridade inclusive daqueles que não são seus empregados. A Promotoria britânica decidiu no ano passado exonerar os agentes envolvidos no incidente e processar toda a instituição por crimes contra a Lei de Segurança e Higiene no Trabalho. O julgamento contra as forças de segurança deverá durar mais de quatro semanas. Os atentados fracassados de 21 de julho de 2005 não deixaram nenhuma pessoa ferida, pois apenas os detonadores explodiram, e não as bombas.O ataque, no entanto, tinha como objetivo imitar o que foi cometido em 7 de julho de 2005 contra a rede de transportes de Londres, que deixou 56 mortos, incluindo os quatro terroristas suicidas.

Tudo o que sabemos sobre:
Jean CharlesReino Unido

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.