Jornais republicam charge de Maomé na Dinamarca

Ação é justificada como protesto ao que jornalistas consideram ataque contra liberdade de imprensa

Efe,

13 de fevereiro de 2008 | 08h20

Os principais jornais da Dinamarca voltaram a publicar nesta quarta-feira, 13, a polêmica charge do profeta Maomé na qual ele possui uma bomba no turbante, um dia depois da detenção de três supostos terroristas que planejavam matar o cartunista responsável pelo desenho, o Kurt Westergaard. A imprensa dinamarquesa reagiu ao que considera uma tentativa de atentado contra a liberdade de expressão. Os jornais do país ainda parabenizaram os serviços de inteligência nacionais, que detiveram os três homens, dois tunisianos e um dinamarquês de origem marroquina, na localidade de Aarhus. O jornal Jyllands-Posten, que publicou as caricaturas há quase três anos e para o qual Westergaard trabalha, assinala em seu editorial de desta quarta que "'crise de Maomé' será utilizada como desculpa para diversas iniciativas mais ou menos radicais e para outros planos de assassinatos ou atentados". Segundo o chefe dos serviços secretos dinamarqueses, Jakob Scharf, o dinamarquês de origem marroquina é suspeito de violar as leis contra o terrorismo, mas provavelmente será posto em liberdade após prestar depoimento, enquanto seus dois cúmplices serão deportados do país. Scharf disse que as detenções foram de caráter "preventivo" e aconteceram quando os supostos terroristas estavam "na fase inicial" dos preparativos para um atentado contra Westergaard, um dos 12 cartunistas que criaram charges de Maomé. No entanto, o diretor do Jyllands-Posten, Carsten Juste, afirmou na edição digital do jornal que havia "planos muito concretos para matar Kurt Westergaard". O cartunista, de 73 anos, e sua esposa Gitte, de 66, estão há meses sob proteção policial. Westergaard assinalou nesta terça-feira à edição digital do jornal que as forças de segurança o avisaram dos planos que existiam contra ele. "É claro que temo pela minha vida quando o serviço de inteligência da polícia diz que pessoas têm planos concretos de me matar", disse o cartunista em uma declaração publicada no site do jornal. "Mas eu transformei o medo em raiva e ressentimento", acrescentou Westergaard. Além disso, ele manifestou seu temor de que as "doentias" repercussões de sua caricatura possam durar "para o resto" de sua vida. "É triste, mas se transformou em uma circunstância da minha vida", acrescentou. O Jyllands-Posten publicou, em setembro de 2005, cerca de dez caricaturas do profeta Maomé, que inicialmente passaram despercebidas, mas que meses depois provocaram uma onda de protestos em vários países islâmicos. As manifestações culminaram há um ano, quando escritórios diplomáticos dinamarqueses foram incendiados na Síria e no Líbano e dezenas de protestos terminaram em mortes na Nigéria, na Líbia e no Paquistão.

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