Jornal quer que repórteres andem armados na Rússia

Com a morte da jornalista Anastasia Baburova nesta semana, já são quatro os profissionais assassinados

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

23 de janeiro de 2009 | 11h01

Uma caneta numa mão. Uma arma na outra. As ameaças contra jornalistas na Rússia obrigaram o jornal Novaya Gazeta a pedir permissão da Justiça local para que seus jornalistas andem armados. Nesta semana, mais um jornalista foi assassinado em Moscou, ao lado de um procurador. Mas uma parte dos jornalistas do grupo já alerta: não vão sair à rua armados.   Os casos de assassinatos de jornalistas na Rússia vem se proliferando e, segundo a entidade Freedom House, 16 profissionais foram mortos no país desde 2000. Dezenas de outros jornalistas foram agredidos e ameaçados. Na Europa, entidades como Repórteres Sem Fronteiras atacam o governo russo por não proteger jornalistas e até criar um ambiente de terror contra alguns jornais.   Na quinta, a embaixada dos Estados Unidos em Moscou emitiu uma nota protestando contra os assassinatos. "Esperamos que os responsáveis pelos ataques sejam encontrados, processados e punidos, e que a longa série de assassinatos de jornalistas chegue a um fim", afirmou.   Nesta semana, Aleksandr Lebedev - um ex-agente secreto da KGB e hoje dono do jornal liberal em Moscou "Novaya Gazeta" - fez um apelo para que as autoridades permitam que jornalistas andem armados. "O governo não está cumprindo sua missão. Portanto, estamos pedindo oficialmente para que possamos portar armas", disse. Pela lei russa, cidadãos não podem andar armado, salvo em casos autorizados.   A vítima nesta semana foi a repórter Anastasia Baburova, que saia de uma conferência de imprensa ao lado do procurador Stanislav Markelov. Ambos foram assassinados. Baburova foi a quarta funcionária do jornal assassinada em oito anos. O primeiro, o jornalista Igor Domnikov, foi morto em 2000. Em 2003, Yury Shchekochikhin estava investigando o envolvimento dos serviços de segurança da Rússia em operações ilegais. Acabou sendo envenenado.   Mas o caso mais famoso é de Anna Politkovskaya, morta em 2006 ao sair de sua casa. Ela acusava em seus artigos o Exército russo de abusos contra a população na Chechênia. Sergei Sokolov, editor chefe do jornal, alerta que não tem outra opção agora senão tomar a si a responsabilidade de defender seus funcionários. Mas nem todos na redação aceitaram a ideia de levar uma arma. Para o Centro para Jornalismo em Situações Extremas, armar jornalistas não funcionará.

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