Jornalista francês tem casa revistada após artigo sobre Al Qaeda

As autoridades francesas revistaram acasa de um jornalista e abriram um inquérito porque elepublicou um documento sobre a Al Qaeda que era consideradosecreto, disse uma fonte judicial na sexta-feira. Guillaume Dasquie passou a ser oficialmente investigado --medida que precede o indiciamento -- depois de ter passado duasnoites na prisão, disse a fonte. Promotores de Paris disseram que uma segunda pessoa, quefoi detida ao mesmo tempo que Dasquie, também está sendoinvestigada, mas sua identidade não foi revelada. O inquérito está ligado a uma reportagem publicada em abrilno Le Monde, com o título "11/9/2001 -- A França sabia muitosobre ele", em que Dasquie citou relatórios do serviço deinteligência estrangeira datados de 2000 e 2001. Dasquie, um jornalista que trabalha como independente, éacusado de posse de documentos secretos da Defesa e de divulgararquivos e informações confidenciais, afirmou a fonte. "Estou profundamente transtornado com o que passei", disseDasquie, que foi solto sob fiança, segundo o Le Monde. "Oobjetivo da minha prisão na verdade era saber minhas fontes." A entidade Repórteres sem Fronteiras (RSF) condenou a buscana casa de Dasquie. "É um fato inédito e revoltante que apolícia de contra-espionagem tenha revistado a casa de umjornalista ao amanhecer, vasculhando-a por cinco horas e depoiso prendendo", disse a RSF. "A culpa por um vazamento de dentro dos serviços deinteligência ou do gabinete de um juiz investigativo não podeser atribuída ao jornalista que publica a informação, que nessecaso claramente merece ser tornada pública. Dasquie só fez seutrabalho e não merece ser tratado assim", disse a RSF numanota. A reportagem de Dasquie referia-se a documentosconfidenciais que mostravam que agentes estrangeiros tinham seinfiltrado na rede de Osama bin Laden e estavam acompanhandoseus movimentos. Um documento, elaborado em janeiro de 2001, tinha comotítulo "Plano de radicais islâmicos para sequestrar um avião",e dizia que a operação tinha sido discutida em Cabul no iníciode 2000, pela Al Qaeda, pelo Taliban e por militanteschechenos. Os ataques, no dia 11 de setembro de 2001, mataram quase3.000 pessoas. A reportagem afirmava que o relatório francês de janeiro de2001 tinha sido entregue para um agente da CIA em Paris, masnão mencionou se ele chegou a entrar na comissão oficial queinvestigou os ataques, e que divulgou suas conclusões em julhode 2004. (Reportagem de Thierry Leveque

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