Jornalista grego é julgado em caso de lista de contas na Suíça

Advogados fizeram a defesa nesta quinta-feira do jornalista grego acusado de quebrar as regras de privacidade de informações por ter publicado em uma revista os nomes de mais de 2.000 gregos ricos que seriam donos de contas bancárias na Suíça.

RENEE MALTEZOU, Reuters

01 de novembro de 2012 | 14h40

A divulgação da "Lista de Lagarde" pelo editor Costas Vaxavanis agitou a Grécia, onde a evasão fiscal desenfreada está prejudicando os esforços do governo para reduzir os gastos públicos e aumentar as receitas no âmbito de um acordo de resgate UE/FMI.

A rápida prisão e julgamento após a publicação da lista no fim de semana enfureceu muitos já irritados com o fracasso de governos consecutivos em reprimir uma elite rica, que o povo culpa por anos de recessão.

Vaxavanis, editor do semanal "Hot Doc", foi cercado por colegas jornalistas e outros defensores que lotaram a sala do tribunal de Atenas quando seus advogados iniciaram a defesa.

Eles argumentaram que a promotoria acusou o editor sem que nenhum dos que estão na lista tivessem apresentado queixa sobre violação de privacidade, um caso raro em termos de liberdade de expressão ou difamação na Grécia.

"Ele foi acusado sem motivo", disse Nicos Constantopoulous, seu advogado e um ex-político de esquerda. "Os princípios de um julgamento justo não estão sendo seguidos."

Segundo as leis gregas que cobrem dados protegidos, o réu deve ser julgado dentro de 48 horas se for preso dentro de um dia da apresentação das acusações. Vaxavanis pode pegar até dois anos de prisão se for condenado.

Ele disse ter recebido de uma fonte anônima a lista, que recebeu o nome de "Lista de Lagarde" em homenagem à diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, que entregou a lista a autoridades de vários países da UE em 2010, quando era ministra das Finanças da França.

Outra publicação grega, o jornal Ta Nea, também publicou os 2.059 nomes. O jornal disse que as contas tinham cerca de 2 bilhões de euros até 2007, mas deixou claro que não havia nenhuma evidência de que qualquer das pessoas tinha quebrado as leis de evasão fiscal.

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