Jovens atacam sede da polícia antidistúrbios em Atenas

30 estudantes lançaram bombas e pedras; protestos entram no 11.º e premiê promete combater corrupção

AP e Reuters

16 de dezembro de 2008 | 14h34

Estudantes e polícia continuam a se enfrentar a Grécia. Foto: Reuters   ATENAS - Jovens mascarados atacaram a sede da polícia antidistúrbio em Atenas, nesta terça-feira, e também se confrontaram com a polícia em Tessalonica, cidade do norte grego. O país vive uma série de distúrbios após um policial matar um jovem. A polícia informou que 30 jovens lançaram bombas de petróleo e pedras no prédio, causando grandes danos em sete carros e em um ônibus policial estacionado nas proximidades. O edifício no centro da capital também é usado pela polícia de trânsito.   Veja também:  Protesto em delegacia detona novos confrontos na Grécia Premiê grego resiste e diz que não renuncia Com protestos, jovens tentam despertar os líderes europeus   Jovens também ocuparam um estúdio da televisão estatal NET e mostraram no ar cartazes convocando as pessoas a protestarem nas ruas. Em Tessalônica, perto de 300 jovens confrontaram a polícia antidistúrbio, que usou bombas de gás lacrimogêneo para conter os manifestantes.   A instabilidade começou quando um policial matou o jovem Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, no dia 6, em Atenas. O que começou como um protesto pontual ganhou contornos mais amplos, e agora os manifestantes pedem a queda do governo conservador do primeiro-ministro Costas Karamanlis e também a melhoria nas condições de vida.   O policial acusado pela morte do jovem está preso e responde por homicídio. Em um gesto simbólico, autoridades municipais prometem reacender uma grande árvore de Natal, ainda nesta terça-feira, na praça Syntagma, no centro de Atenas. O local é um dos palcos dos protestos dos últimos dias. A árvore substituirá outra, queimada pelos manifestantes na semana passada.   Corrupção   Ainda nesta terça, Karamanlis prometeu que combaterá a corrupção, depois de 11 dias de violência no país. O premiê disse que ajudar os gregos, dos quais 20% vivem na pobreza, é uma prioridade. Mas ele acrescentou que suas opções são limitadas pela dívida do país, que ficou pior após os protestos que rapidamente se espalharam pelo Grécia e por outros países europeus. "Os jovens se decepcionam com problemas sem solução há muito tempo: a falta de meritocracia, a corrupção na vida cotidiana, o senso de injustiça social", disse Karamanlis à sua equipe parlamentar. "A luta contra esses problemas é dura e constante, e estamos comprometidos com ela". Karamanlis, criticado pela sua resposta fria aos protestos, disse que subestimou a reação popular e a escala de um escândalo sobre terras que ronda seu governo há meses. O inquérito parlamentar não conseguiu oferecer na segunda-feira nenhuma acusação sobre o caso, no qual o monastério Mount Athos recebeu propriedade estatal em troca de terras agrícolas baratas, em uma transação que custou milhões de euros ao Estado. Com mais protestos planejados para essa semana, visando a entrega do orçamento no parlamento, Karamanlis disse que as reduções no imposto sobre a renda continuarão. Mas ele alertou contra a criação de grandes expectativas, dizendo que a Grécia vai gastar 12 bilhões de euros, ou cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB), só com os juros da dívida. "Nossa maior prioridade é dar apoio aos mais sofridos, (mas) essa dívida é um peso enorme que reduz a flexibilidade do governo em um momento crítico", disse.    A oposição socialista, no entanto, diz que Karamanlis e seu partido não compreendem a gravidade da atual situação econômica. "É óbvio que eles não entendem que eles perderam a confiança das pessoas e, nesses casos, a solução sempre é dada pelo povo", concluiu o porta-voz do partido socialista, George Papaconstantinou.

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