Jovens negam ligação de protestos com charge de Maomé

Em carta, manifestantes dizem que distúrbios começaram como forma de protesto contra a repressão policial

Agência Estado e Associated Press,

19 de fevereiro de 2008 | 13h57

Representantes dos jovens amotinados que vêm incendiando carros e contêineres de lixo em Copenhague publicaram na edição desta terça-feira, 19, do jornal Politiken, um dos principais do país, uma carta em que denunciam o comportamento "brutal e racista" da polícia dinamarquesa. Os jovens afirmam que os distúrbios começaram como uma forma de protesto contra a repressão da polícia contra eles.   Na semana passada, a polícia afirmou que a situação do país se agravou por protestos por causa de uma republicação de uma charge de Maomé por parte dos meios de comunicação locais, mas a carta publicada nesta terça não continha nenhuma menção a isso.   Esta é a primeira vez que representantes dos jovens amotinados apresentam uma explicação para os distúrbios depois de nove noites consecutivas de ataques em áreas de maioria imigrante em diversas partes do país.   Os autores da carta afirmam que os protestos continuarão. "Basicamente, os distúrbios são conseqüência da forma como somos tratados pela polícia, que é brutal, racista e desrespeitosa de uma forma totalmente inaceitável", argumentam.   Os autores assinam a carta como "Meninos de Noerrebro", uma referência ao bairro de maioria imigrante de Copenhague onde os distúrbios tiveram início na noite de 10 de fevereiro.   A polícia dinamarquesa informou que 21 focos criminosos de incêndio foram detectados entre a noite de segunda e a madrugada desta terça, elevando para mais de 600 o número de ações similares desde o início dos distúrbios.   No período, os jovens incendiaram carros, contêineres de lixo e escolas. Em alguns casos, eles atiraram pedras nos bombeiros, mas não há informações de vítimas desses ataques.   O primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Fogh Rasmussen, defendeu a polícia e atribuiu a culpa aos jovens amotinados e aos pais deles. "Os jovens têm responsabilidade e agora devem parar. Os pais deles também são responsáveis", acusou o chefe de governo.   A comandante da polícia de Copenhague, Hanne Bech Hansen, disse que se reuniu na segunda com os jovens que escreveram a carta e prometeu investigar as denúncias deles com relação ao assédio da polícia.

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