Judeus lamentam que festas pelo Muro ofusquem tragédia

Em 9 de novembro de 1938 ocorreu a Noite dos Vidros Quebrados, considerada uma prédvia do Holocausto

EFE,

09 Novembro 2009 | 17h40

A comunidade judaica da Alemanha lamentou nesta segunda-feira, 9 de novembro, o fato de as celebrações pelo 20º aniversário da queda do Muro de Berlim ofuscarem a chamada Noite dos Vidros Quebrados, ocorrida em 9 de novembro de 1938 e que marcou o início da destruição de sinagogas em todo o país por nazistas.

 

"A alegria perante o 20º aniversário da queda do muro se sobrepôs este ano à lembrança dos 'pogroms'", lamentou a presidente do Conselho Central dos Judeus da Alemanha, Charlotte Knobloch, perante o impacto midiático do 9 de novembro de 1989.

 

O dia de hoje tem na Alemanha um caráter ambivalente, já que marca as comemorações da noite mais celebrada de sua história recente e também os "pogroms", considerados uma prévia do Holocausto.

 

Trata-se, por um lado, da noite mais negra, a de 1938, em que centenas de sinagogas foram queimadas em todo o país e, pelo outro, da mais celebrada, a de 1989, em que pela primeira vez milhares de berlinenses cruzaram do leste para o oeste.

 

A confluência de fatos fez que, após a reunificação, não se tenha dado à data da queda do muro categoria de feriado nacional. Em seu lugar, foi institucionalizado como tal 3 de outubro de 1990, quando se assinou o Tratado de Unificação.

 

O pianista argentino-israelense Daniel Barenboim que abrirá a chamada Festa da Liberdade perante o Portão de Brandeburgo, se referiu hoje à confluência entre as datas, para ele símbolo do que mais "monstruoso" e mais "formoso" se viveu na capital alemã.

 

"Parece que os sinos da história soam com facilidade na Alemanha em 9 de novembro", disse Barenboim.

 

Para o show no Portão de Brandeburgo, Barenboim escolheu um repertório composto por músicas de Wagner e Beethoven, assim como "A survivor from Warschaw", de Arnold Schoenberg em memória das vítimas do Holocausto, e "Es ist, als habe einer die Fenster ausgestossen" ("É como se alguém tivesse aberto as janelas"), de Friedrich Goldman.

 

O presidente alemão, Horst Koehler, também se referiu à coincidência de datas, que qualificou de "ligadas entre si", já que de ambas é preciso extrair as "lições da história".

 

O ator austríaco Klaus Maria Brandauer dedicará aos "pogroms" uma leitura poética esta noite em Berlim, ao término dos atos no Portão de Brandeburgo.

 

Na Noite dos Vidros Quebrados, foram queimadas mais de mil sinagogas em todo o país, das quais quase 300 foram reduzidas a cinzas. Cerca 7.500 comércios de judeus foram destruídos e mais de mil de pessoas morreram vítimas da repressão nazista.

 

No dia seguinte, começou a deportação dos primeiros 30 mil judeus a campos de concentração.

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