Juiz espanhol diz que vítimas de Franco merecem justiça

O juiz espanhol Baltazar Garzón, depondo em seu próprio julgamento, disse a um tribunal nesta terça-feira que parentes das vítimas do ditador de direita general Francisco Franco tinham direito à justiça apesar de uma anistia de 1977.

SARAH MORRIS, REUTERS

31 de janeiro de 2012 | 11h51

Garzón, mais conhecido por prender em Londres em 1998 o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, é acusado de abusar de seus poderes ao investigar cerca de 114.000 supostos assassinatos durante a Guerra Civil espanhola, de 1936-1939, e durante as quatro décadas seguintes de ditadura.

"Eles estavam descrevendo uma eliminação sistemática... e milhares daqueles continuam 'desaparecidos' hoje", disse Garzón a sete juízes da Suprema Corte.

O processo alega que Garzón violou a anistia. Ele argumenta que os desaparecimentos forçados sob Franco foram crimes contra a humanidade que não podem ser sujeitos a uma anistia sob a lei internacional.

É um dos três casos criminais abertos contra ele que dividiram a opinião pública na Espanha. Enquanto algumas pessoas apoiam os julgamentos, muitas acreditam que eles sejam politicamente motivados para derrubar o defensor dos direitos humanos ou para evitar uma comissão de verdade sobre a ditadura, que acabou com a morte de Franco em 1975.

Se for declarado culpado de quaisquer das acusações contra ele, Garzón, de 56 anos, pode ser proibido de trabalhar como magistrado investigador durante 20 anos na Espanha.

Milhares de pessoas reuniram-se em Madri no domingo para protestar contra os julgamentos. Entre eles estavam espanhóis que disseram que seus parentes e amigos foram assassinados ou torturados pelos soldados de Franco.

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