Juíza francesa vai à sede da PIP em investigação sobre silicone

Uma juíza de instrução francesa esteve nesta quarta-feira na sede da empresa PIP, envolvida em um escândalo global por causa da fabricação de próteses mamárias com silicone adulterado e que pode ser indiciada por homicídio culposo devido à morte de uma mulher em decorrência de um câncer.

REUTERS

04 de janeiro de 2012 | 20h16

As autoridades ordenaram que a Poly Implant Prothese (PIP) retirasse suas próteses do mercado em março de 2010, mas as preocupações envolvendo seus produtos se agravaram desde então.

Cerca de 300 mil mulheres no mundo todo usam as próteses mamárias PIP, e vários países -inclusive o Brasil- recomendaram a elas que procurem seus médicos para avaliar a possibilidade de retirar os implantes.

A investigação não tem relação com um processo coletivo movido por 2.400 mulheres da França contra a PIP.

Um repórter da Reuters viu a juíza Annaick Le Goff visitando a antiga sede da PIP em La Seyne-sur-Mer (sul), acompanhada por autoridades policiais e judiciárias. Na França, é comum que juízes realizem tarefas investigativas nas fases de instrução dos processos.

Os advogados da PIP não foram localizados para comentar o caso.

A PIP é acusada de usar silicone industrial na fabricação das próteses, o que as torna mais propensas a rompimentos, com risco de causar irritações e inflamações nas usuárias.

Segundo a Afssaps (agência reguladora francesa de produtos médicos), 20 casos de câncer já foram detectados em usuárias de próteses PIP. Mas o relatório publicado em dezembro descartava qualquer ligação entre os implantes e o câncer.

A PIP, que começou a vender implantes em 1991, já foi o terceiro maior fabricante mundial de próteses mamárias. A fábrica faliu em 2010, depois que uma inspeção constatou o uso do silicone adulterado.

Outra investigação, por fraude, está sendo feita por um tribunal de Marselha, que deve anunciar indiciamentos neste ano.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou em dezembro que irá cancelar o registro das próteses mamárias suspeitas. Foram vendidas no país 25 mil próteses PIP e importadas quase 35 mil unidades. As próteses PIP estão proibidas no Brasil desde 2010.

(Reportagem de Jean-Paul Pelissier e François Revilla, em Marselha)

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