Júri absolve acusados de assassinar jornalista russa

Anna Politkovskaya fez reportagens sobre as atrocidades do governo na Chechênia e abusos de poder na região

Agências internacionais,

19 de fevereiro de 2009 | 11h47

Um júri de Moscou absolveu nesta quinta-feira, 19, três homens acusados pela morte da jornalista Anna Politkovskaya, uma crítica do Kremlin. Os veredictos são uma derrota embaraçosa para os promotores, em um caso comprometido de início pela ausência do suspeito de atirar na vítima e também de qualquer autor intelectual do crime.   Os réus Dzahabrail e Ibragim Makhmudov e o policial Sergei Khadzhikurbanov eram acusados de ajudar a organizar e mediar o acordo para a morte de Anna, em 2006. Eles eram acusados por assassinato e poderiam pegar prisão perpétua, caso culpados. A jornalista realizou várias reportagens sobre as atrocidades na Chechênia e os abusos dos russos na região. As matérias enfureceram o Kremlin. O assassinato mostrou os riscos a que estão submetidos jornalistas e críticos do governo russo em geral.   O oficial dos serviços secretos Pavel Ryaguzov, processado na mesma causa por abuso de poder e extorsão, também foi considerado inocente. Os integrantes do júri popular deliberaram durante quase duas horas sobre as 20 perguntas propostas pelo juiz antes de emitir seu veredicto. Em seguida, o juiz ordenou a liberdade dos quatro acusados, em um caso de assassinato que causou uma grande comoção internacional e valeu ao Kremlin a condenação das organizações de direitos humanos. A Procuradoria informou que tem intenção de recorrer da decisão.   O diretor do "Novaya Gazeta" - onde a jornalista trabalhava -, Dmitri Muratov, aceitou a decisão do júri, elogiou sua seriedade, mas ressaltou que, com esta decisão, a investigação do caso não tinha terminado. Os advogados da família de Politkovskaya, uma dos jornalistas mais críticas ao Kremlin devido ao conflito na Chechênia, tinham denunciado várias vezes que, entre os acusados, não estavam todos os envolvidos no assassinato.   O suposto assassino da jornalista, um terceiro irmão Makhmudov, Rustam, se encontra em paradeiro desconhecido e é objeto de busca e captura internacional há vários meses. O assassinato de Politkovskaya, que nasceu em Nova York, em 1958, foi cometido quando a jornalista preparava um artigo sobre as torturas sistemáticas na Chechênia, que foi publicado pelos colegas cinco dias após a morte da jornalista.

Tudo o que sabemos sobre:
Rússia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.