Júri do caso Jean Charles inicia deliberações

Familiares do brasileiro morto pela polícia londrina protestam pouco depois da retirada dos jurados

Agência Estado e Associated Press,

04 de dezembro de 2008 | 20h47

Um júri britânico iniciou nesta quinta-feira, 4, as deliberações sobre o inquérito da morte de Jean Charles de Menezes, brasileiro morto por policiais numa estação de metrô em Londres, em julho de 2005. Familiares do brasileiro fizeram um protesto pouco depois da retirada do júri. Três primos de Jean Charles, que usavam camisetas com as frases "veredicto ilegal" e "nosso direito legal de decidir", levantaram-se antes de deixar o local.  Veja também:Familiares de Jean Charles protestam em inquéritoEntenda o novo inquérito sobre o caso Jean CharlesCronologia do caso Jean Charles  A família mostrou sua raiva contra as instruções dadas pelo investigador Michael Wright para o júri no começo desta semana. Segundo ele, as evidências não sustentam o veredicto ato criminoso. Ele disse aos jurados que as opções eram devolver o veredicto de ato criminoso ou enviar um veredicto em aberto, o que significaria que o júri não chegou a nenhuma conclusão.  Os advogados da família de Jean Charles não estavam na sala quando Wright apresentou suas conclusões, nesta quinta-feira. Wright disse aos jurados para deixarem de lado suas emoções quando levarem em conta suas decisões após mais de sete semanas testemunhos.  Jean Charles, um eletricista de 27 anos, foi alvejado por policiais quando entrou num trem do metrô na estação londrina de Stockwell, um dia depois de terroristas terem tentado explodir bombas no sistema de transporte da capital britânica. Os dois oficiais que atiraram contra Jean Charles afirmaram acreditar que ele era um dos homens-bomba que havia tentado atacar o sistema de metrô e ônibus no dia anterior A polícia de Londres estava em alerta na ocasião da morte do brasileiro, apenas duas semanas após os ataques de 7 de julho de 2005, que mataram 52 passageiros de ônibus e metrô da cidade. Os disparos contra um homem desarmado resultaram em protestos contra a polícia.  O inquérito do investigador não é um julgamento. No Reino Unido ele é exigido para estabelecer os fatos quando alguém morre inexplicavelmente, violentamente ou por causas desconhecidas. Nenhuma pessoa foi individualmente responsabilizada pela morte de Jean Charles.  Uma corte britânica condenou, no ano passado, a polícia de Londres por violações às regras de saúde e segurança por colocar em risco a segurança pública durante os disparos. A polícia foi condenada a pagar uma multa de 560 mil libras (US$ 820 mil).

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