Justiça da Grécia pede prisão de policiais por morte de jovem

Dois oficiais serão detidos enquanto aguardam julgamento por assassinato, que gerou cinco dias de protestos

AP e Reuters,

10 de dezembro de 2008 | 17h32

A justiça grega ordenou nesta quarta-feira, 10, que dois policiais sejam presos enquanto aguardam julgamento pela morte de um jovem. Um oficial é acusado de assassinar Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos. O outro é acusado de ser cúmplice da morte, que gerou cinco dias de protestos em diversas cidades da Grécia. A data do julgamento ainda não foi marcada.   Veja também: Gilles Lapouge: Política arcaica imobiliza Grécia  Protestos ameaçam sobrevivência do governo  Galeria de fotos dos protestos    O policial Epaminondas Korkoneas declarou perante a justiça que não atirou intencionalmente no jovem, e reiterou que o rapaz foi atingido por acaso após um disparo feito para o ar. Em seu depoimento, o agente disse ainda que é pai de três filhos e que nunca apontaria a arma contra um adolescente.   Korkoneas, apelidado de "Rambo" por seus colegas da polícia, alegou que a única versão verídica é a que diz que uma das balas disparadas para o ar, como forma de advertência, acabou atingindo mortalmente o adolescente. Além disso, o policial assegurou que o rapaz tinha um histórico de conduta rebelde e que havia sido expulso de uma escola.   A afirmação foi desmentida pela direção do colégio, que destacou em carta à imprensa local a "excelente relação do jovem com seus companheiros" e denunciou que os rumores sobre seu comportamento "fogem da verdade e insultam sua memória."   A morte de Grigoropulos, no último sábado, desencadeou uma das piores crises na Grécia com uma onda de distúrbios em Atenas e outras cidades em protesto contra a violência policial e a situação econômica.   Novos protestos   Ainda nesta quarta-feira, novos confrontos aconteceram em Atenas nas cercanias do Parlamento, quando cerca de 200 jovens começaram a jogar pedras e outros objetos contra as forças da ordem. Os radicais se dividiram entre o Parlamento e a Universidade de Atenas, que ficam a uma distância de cerca de 500 metros, atacando as forças da ordem, que responderam com gás lacrimogêneo.   Entre os manifestantes havia vários menores de idade. Nas imediações da universidade, vários cidadãos que tomavam café em um das terraços se levantaram e começaram a jogar pedras contra a polícia, para que os agentes parassem de agredir os manifestantes.   Os distúrbios desta quarta ocorreram no mesmo dia em que foi convocada uma greve geral de 24 horas em todo o país, em protesto contra a má situação econômica e a favor de mais justiça social. Por esse motivo, cerca de 15 mil pessoas se concentraram no centro de Atenas em manifestações convocadas pelos sindicatos majoritários de trabalhadores e funcionários civis do setor privado e público.    Os sindicatos rejeitaram os apelos do primeiro-ministro Costas Karamanlis para cancelar as manifestações, afirmando também que os gregos têm o direito de protestar contra as dificuldadesfinanceiras. O protesto estava marcado antes mesmo da morte do jovem no fim de semana, mas ganharam peso após o fato. Os serviços de emergência estão em alerta em Atenas. Há o temor de que haja mais confrontos, em um contexto de aumento da pressão sobre o governo conservador.   Prejuízos Foto: AP Cerca de 435 estabelecimentos comerciais de Atenas foram danificados - 32 deles completamente destruídos - até agora devido aos distúrbios. Segundo dados da União de Comerciantes de Atenas, que representa 6 mil lojas da capital grega, os danos pelos atos de vandalismo superam 200 milhões de euros.   Os prejuízos em cada estabelecimento oscilam de 500 mil euros - por aqueles que só perderam parte de sua mercadoria - a 5,5 milhões de euros - naqueles que foram totalmente arrasados pelos vândalos. Diante desta situação Caramanlis, anunciou um conjunto de medidas para compensar as perdas dos comerciantes.   Caramanlis disse, em um pronunciamento à nação, que os pequenos e médios estabelecimentos receberão uma ajuda inicial de 10 mil euros, que o Estado pagará 50% dos danos sofridos e que cobrirá também metade dos empréstimos para reabrir os negócios, enquanto o resto se obterá com garantias estatais. Além disso, os bancos darão um prazo de 15 anos para os empréstimos aos comerciantes pela perda de mercadoria e outros 15 anos para reconstruir os estabelecimentos destruídos.    Da mesma forma, será suspensa a cobrança de dívidas contraídas pelos comerciantes com o Estado por um prazo de três meses e se darão ajudas econômicas aos empregados das lojas que não possam abrir até o fim da temporada natalina de vendas. Caramanlis declarou que, com estas medidas, o governo responde com "ações" às conseqüências da onda de violência.  

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