Justiça espanhola investiga Israel por crime de guerra em 2002

A Suprema Corte espanhola vai abrir uma investigação por crimes de guerra contra sete israelenses, inclusive um ex-ministro de Defesa, por causa de um ataque, em 2002, que matou 14 civis e um comandante do Hamas na Faixa de Gaza, segundo documentos judiciais. A lei espanhola autoriza processos contra estrangeiros por crimes contra a humanidade, genocídio e tortura, mesmo que cometidos em outros lugares do mundo. O processo foi movido pelo Centro para os Direitos Humanos, com sede em Gaza, e cita como réus o ex-ministro da Defesa Binyamin Ben- Eliezer e seis militares envolvidos na decisão de lançar uma bomba de uma tonelada de um avião F-16 contra um prédio de apartamentos, em 22 de julho de 2002. A explosão matou Salah Shehada, comandante do Hamas, mas a organização diz que está movendo o processo apenas em nome das famílias dos 14 civis mortos, nove dos quais crianças, e dos 96 feridos. "Se Israel quiser ser uma nação civilizada, terá de aceitar o estado de direito, e o estado de direito não está servido com uma bomba de mil quilos", disse Gonzalo Boye, advogado que representa a ONG palestina. "Não justifico as ações do Hamas. Acho que ambas as partes são culpadas. As únicas pessoas inocentes são as vítimas civis. Excluímos do nosso processo criminal aquela pessoa do Hamas que foi alvo do Exército israelense." A investigação do juiz espanhol Fernando Andreu, que deve durar anos, foi iniciada depois que em agosto Israel recusou-se a responder a uma consulta do tribunal sobre se preferia que os sete fossem julgados em Israel. O atual ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, divulgou nota manifestando "forte objeção" ao "delirante anúncio" da Espanha, e prometeu uma defesa vigorosa. "Quem quer que qualifique a liquidação de um terrorista como 'crime contra a humanidade' está vivendo em um mundo de ponta-cabeça. Toda a cúpula militar agiu adequadamente, em nome do Estado de Israel, por meio do seu compromisso de garantir a segurança dos cidadãos de Israel", disse Barak. Documentos judiciais espanhóis dizem que o ataque matou 15 pessoas, a maioria das quais crianças e bebês, e feriu 150. (Reportagem adicional de Inmaculada Sanz, na Espanha, e Ori Lewis, em Jerusalém)

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