Justiça espanhola investigará acusações contra a China no Tibet

A Justiça da Espanha anunciou naterça-feira que vai investigar os fatos ocorridos durante arepressão chinesa a manifestações neste ano no Tibet, nas quaissupostamente sete importantes funcionários do governo de Pequimestariam envolvidos. O processo foi aberto pelo Comitê de Apoio ao Tibet, pelaFundação Privada Casa do Tibet e por Tubten Wahghen Sherpa,acusando os sete funcionários de crimes de lesa-humanidade --"matança sistemática e generalizada dos tibetanos, lesõesgraves, torturas e desaparições forçadas", segundo o processo. A peça de acusação diz que os acusados comandaram em 10 demarço "um ataque generalizado e sistemático contra a populaçãotibetana, deixando pelo menos 203 mortos, mais de mil feridosgraves e 5.972 detidos ilegais e desaparecidos." O juiz Santiago Pedraz considerou que a Justiça espanholatem competência para investigar os fatos, já que os crimes delesa-humanidade estão tipificados no Código Penal. Entre os investigados há dois ministros chineses: o daDefesa, Lian Guanglie, e o da Segurança do Estado, GengHuichang. Constam no processo também Zhang Qingli, secretário doPartido Comunista Chinês no Tibet; Wang Lequan, membro doPolitburo em Pequim; Li Dezhu, líder da Comissão de AssuntosÉtnicos; o general Tong Guishan, comandante do Exército deLibertação Popular de Lhasa; e o general Zhan Guihua,comissário político do comando militar de Chengdu. Em setembro, devem ser chamados a depor o chefe dodepartamento de segurança do governo tibetano no exílio epersonalidades ligadas aos direitos humanos. Na embaixada chinesa em Madri não havia ninguém disponívelpara comentar a notícia. A China culpa o líder espiritual exilado Dalai Lama pelosdistúrbios que mataram 18 "civis inocentes" em Lhasa e depoisse espalharam para outras áreas de população tibetana. Ativistas dizem que a repressão que se seguiu deixou umnúmero muito superior de vítimas. (Reportagem de Sarah Morris)

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