Justiça ordena extradição de Karadzic para Tribunal da ONU

Defesa tem três dias para recorrer; procurado tinha identidade falsa e trabalhava com medicina alternativa

Agências internacionais,

22 de julho de 2008 | 07h44

A Promotoria sérvia emitiu um mandado para o que ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic, um dos homens mais procurados do mundo, seja transferido para o Tribunal das Nações Unidas. Segundo o promotor Vladimir Vukcevic disse nesta terça-feira, 22, que a Justiça já emitiu uma ordem para que o acusado de genocídio seja entregue à Corte de Haia, na Holanda, sede do Tribunal Penal Internacional. A defesa de Radovan Karadzic afirmou que recorrerá do pedido, segundo declarou o advogado Sveta Vujacic.   Veja também: Prisão de acusado é histórica, diz ONU Quem é Radovan Karadzic Sarajevo comemora prisão de Karadzic Cronologia dos conflitos nos Bálcãs  O massacre de Srebrenica  Entenda os conflitos na região   A defesa de Karadzic tem três dias para tentar evitar que o ex-presidente, acusado de liderar o massacre de milhares de muçulmanos bósnios e croatas, seja entregue ao Tribunal Penal Internacional para a ex- Iugoslávia (TPII). Segundo o advogado, o acusado se manteve em silêncio durante o interrogatório e só disse que todo o caso é uma "farsa".   Karadzic foi indiciado pelo TPII em julho de 1995 por autorizar a matança de civis durante os 43 meses de cerco a Sarajevo. Também foi indiciado por genocídio por orquestrar o massacre de mais 8 mil muçulmanos em Srebrenica, no leste da Bósnia, pouco depois de a cidade ser declarada "área segura" pela ONU. Oficiais sérvios disseram nesta terça que Karadzic foi detido nos arredores de Belgrado na segunda, e mostraram aos repórteres uma fotografia de um ex-líder sérvio irreconhecível, com uma longa e branca barba, cabelo grisalho e óculos. Ele trabalha como médico particular em uma clínica de medicina alternativa.   O promotor explicou que Belgrado começou os procedimentos para a extradição de Karadzic. Segundo Vukcevic, o juiz encarregado do caso afirmou que seu trabalho de instrução está encerrado e assegurou que a Justiça sérvia está pronta para enviar o acusado de crimes de guerra para Haia.   Quando foi detido em um ônibus nas proximidades Belgrado, Karadzic carregava um documento de identidade com o nome de Dragan Dabic. A ação não contou com a ajuda de serviços secretos estrangeiros. "Trabalhamos sozinhos, sem a ajuda de fora", disse o promotor em entrevista coletiva.   Rasim Lajic, o ministro sérvio encarregado de cooperar com o Tribunal Penal Internacional disse na mesma entrevista coletiva que Karadzic era "muito convincente" em sua falsa identidade. Segundo o ministro, a mudança de identidade e de imagem de Karadzic era tão boa que nem sequer as pessoas que lhe alugaram um apartamento o reconheceram. "A operação aconteceu depois que seguimos por um tempo um grupo de pessoas que eram suspeitas de formar uma rede de apoio a Karadzic", acrescentou o ministro.   Procurado havia mais de uma década, Karadzic é acusado de ter ordenado o massacre de 8 mil muçulmanos na cidade de Srebrenica, em 1995 - considerada a maior atrocidade na Europa desde a 2ª Guerra. A Sérvia sofria intensa pressão da União Européia para entregar o ex-líder ao tribunal. Essa era uma das principais condições para que o país pudesse ingressar no bloco europeu. Se Karadzic for extraditado para Haia, sede do TPII, será o 44º acusado a ser indiciado. Entre eles estava o ex-presidente Slobodan Milosevic, que morreu em 2006, justamente quando era julgado por crimes de guerra. O comandante do Exército de Karadzic, Ratko Mladic, continua foragido.   A captura e entrega dos dois à Justiça internacional é a principal condição para que a Sérvia e a Bósnia possam progredir rumo à União Européia (UE). O ministro de Exteriores da Sérvia, Vuk Jeremic, afirmou que a detenção de Karadzic demonstra a importância que Belgrado dá a uma futura entrada na UE.   "Somos muito sérios sobre nosso futuro na UE, e demonstramos isso ontem", afirmou Jeremic antes de se juntar ao Conselho de Ministros de Exteriores comunitários. O ministro sérvio destacou também o compromisso de seu país com a paz e a justiça internacional, "tanto no que se refere à cooperação com o TPII como no que tem a ver com nossa soberania sobre o Kosovo".

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