Kadafi visita Itália e pede encontro com mulheres

Esta é primeira visita de um líder líbio ao país desde que assumiu governo, há 40 anos

BBC Brasil, BBC

10 de junho de 2009 | 09h46

O presidente líbio Muammar Kadafi chegou a Roma nesta quarta-feira, 10, em sua primeira visita à Itália desde que assumiu o governo por golpe, há 40 anos. A Itália ocupou a Líbia pelos 30 anos anteriores e, atualmente, é seu maior parceiro comercial. Kadafi viaja acompanhado de uma delegação de empresários líbios que pretendem aumentar seus investimentos na indústria italiana. O líder líbio também requisitou um encontro com mulheres italianas proeminentes nos campos dos negócios, da política e da cultura. Ele deverá fazer uma palestra para 700 mulheres na sala de concertos de Roma.

 

Foto: Reuters

 

Em visita a Paris, em 2007, o líder líbio participou de um encontro semelhante, com mil convidadas, a quem ele disse que queria "salvar as mulheres européias". Como costuma fazer em viagens internacionais, Kadafi vai se hospedar em sua tenda beduína, a ser montada nos jardins de uma mansão do século 17. Ele deverá se encontrar com o presidente e o primeiro-ministro italianos, com quem deve conversar sobre imigração ilegal.

 

Foto: Reuters

 

A segurança foi reforçada em Roma para a visita de três dias. Há manifestações programadas por estudantes de esquerda contrários à política do premiê Silvio Berlusconi - que tem apoio da Líbia - de interceptar e repatriar a força imigrantes que tentem chegar à Itália pelo mar. Kadafi, cujo país detém a Presidência rotativa da União Africana, deverá se encontrar com seus visitantes em sua tenda. No mês que vem, ele volta à Itália para participar da cúpula do G-8.

Foto: AP

 

Segundo a correspondente da BBC em Trípoli, Rana Jawad, Líbia e Itália mantêm "uma relação de amor e ódio". Desde a independência da Líbia, a língua italiana foi proibida no país, diz ela. Os colonos italianos foram expulsos pouco depois de Kadafi assumir o poder, e proibidos de voltar.

 

A brutal ocupação italiana na Líbia, quando dezenas de milhares de líbios foram levados para campos de concentração, não foi facilmente esquecida, diz Jawad. Mas nos últimos anos, a relação floresceu e chegou a se transformar em amizade. Os negócios entre os dois países aumentaram e os colonos expulsos agora podem voltar para visitar. No ano passado, o governo italiano concordou em pagar US$ 5 bilhões em reparação pelos erros cometidos durante o período colonial. 

 

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