Karadzic ameaça não se ir a julgamento por genocídio

Ex-líder servo-bósnio alega não ter tempo para concluir sua defesa; tribunal diz que data do júri será mantida

Efe,

22 de outubro de 2009 | 08h45

O ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic comunicou aos magistrados do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) que não se apresentará no próximo 26 de outubro, dia de começo de seu julgamento, por não ter preparado sua Defesa. O tribunal, por sua vez, informou que não vai adiar o início do júri. A porta-voz do tribunal, Nerma Jelacic, disse que o processo seguirá como previsto.

Na carta que remeteu à corte, divulgada nesta quinta-feira, 22, Karadzic afirma que o processo aconteceria "em circunstâncias desiguais, desproporcionais e injustas, nas quais a defesa seria privada das condições mínimas de preparação".

O acusado, que decidiu defender-se a si mesmo, acrescenta que mesmo tendo recebido todo o material a tempo nos últimos meses, teria necessitado muito mais que dois anos para sua preparação.

"Pela presente, lhes informo (aos magistrados) que minha defesa não está preparada para começar na data prevista, 26 de outubro, e portanto não me apresentarei perante os senhores nesse dia", conclui o ex-líder servo-bósnio.

O processo contra Karadzic ia começar dia 21 de outubro, mas em resposta a uma apelação do acusado os magistrados aceitaram conceder-lhe uma semana adicional a partir da apresentação da nova acusação - que aconteceu no dia 19 -, para que pudesse estudá-la em detalhe.

Karadzic enfrenta onze acusações de crimes de guerra e contra a humanidade, entre eles genocídio, durante a guerra da Bósnia (1992-1995). A acusação de genocídio se refere ao assassinato de quase 8 mil muçulmanos em Srebrenica em 1995, que é considerado o maior massacre depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Mesmo que Karadzic tenha optado por defender a si mesmo - o mesmo que fez o falecido Slobodan Milosevic -, os magistrados aceitaram que seu assessor legal, Peter Robinson, esteja presente na sala do Tribunal e possa responder diretamente às questões legais colocadas durante o julgamento.

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