Karadzic deve ser levado às escondidas para fora da Sérvia

A transferência de RadovanKaradzic para a penitenciária do tribunal de crimes de guerrade Haia será realizada de forma discreta para evitar a presençados meios de comunicação e protestos organizados pornacionalistas que simpatizam com o ex-líder servo-bósnio. Karadzic, que deverá responder a acusações de genocídiorelacionadas com a Guerra da Bósnia (1992-95), foi detido nasemana passada, na Sérvia, depois de ficar 11 anos foragido.Atualmente, o acusado encontra-se em uma prisão de Belgrado, àespera de ser extraditado. Membros das forças de segurança da Sérvia afirmam haverdezenas de opções para transportá-lo sem problemas, entre asquais veículos disfarçados, portas de saída secretas,transferências feitas na calada da noite e comboios falsos paraenganar as equipes de TV que vigiam a prisão, tribunais e oaeroporto da cidade. "Apenas dez pessoas da Sérvia sabem exatamente o que iráacontecer", afirmou à Reuters um membro importante do governo.Um outro disse que o evento não se transformaria em umespetáculo público. "Isso será feito da forma mais discretapossível." Karadzic foi indiciado por planejar o massacre de cerca de8.000 muçulmanos bósnios em Srebrenica e pelos 43 meses decerco a Sarajevo, onde mais de 11 mil pessoas morreram emvirtude dos bombardeios, disparos de franco-atiradores,desnutrição e falta de atendimento médico. Pouco se sabe sobre o que o ex-líder fez nos anos que ficouforagido. Relatos nunca confirmados dão conta de que sedisfarçou de padre ortodoxo e morou em monastérios, levando umavida secreta sob a proteção de nacionalistas radicais presentesno Exército e na polícia. Nos últimos anos, passou a viver na capital sérvia usandoum nome falso, fingindo ser um praticante de medicinaalternativa e usando barba longa, cabelo comprido e óculosgrossos para esconder o rosto. Muitos nacionalistas consideram-no um herói vitimado pelapropaganda anti-Sérvia e pretendem realizar uma grandemanifestação na terça-feira para criticar seu julgamento eextradição. O novo governo do país, pró-Ocidente, no poder desde ocomeço de julho, está ansioso para levá-lo a Haia o quantoantes, evitando maiores tensões e novos protestos. Mas apartida dele depende também do julgamento de um apelo feitopelo advogado de Karadzic. (Reportagem adicional de Ivana Sekularac)

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