Arquivo/AP
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Karadzic diz que primeira testemunha de acusação é tendenciosa

O ex-líder sérvio-bósnio questionou a testemunha sobre a veracidade dos fatos

EFE

14 de abril de 2010 | 12h01

HAIA - O ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic acusou nesta quarta-feira, 14, a primeira testemunha de acusação em seu julgamento por genocídio de fabricar as provas contra ele por assassinato em massa.

 

O antigo líder sérvio-bósnio, que está conduzindo a sua própria defesa, gastou mais de três horas procurando descreditar o bósnio muçulmano Ahmet Zulic, que testemunhou por quase 90 minutos.

 

Zulic disse à corte da ONU na terça-feira que ele havia testemunhado o massacre de junho de 1992, quando 20 homens muçulmanos foram forçados a cavar suas próprias covas e depois foram fuzilados ou tiveram suas gargantas cortadas por um carrasco sérvio. Zulic disse que apenas sobreviveu à matança porque seu antigo professor de escola interveio a seu favor.

 

Karadzic, espiando por cima dos óculos e gesticulando com sua mão direita para dar ênfase a sua fala, chamou o evento de mentira e disse que o carrasco sérvio estava disposto a processar Zulic por "calúnia e falso testemunho". "Eu mantenho que você inventou a situação toda", disse ele.

 

Zulic respondeu apontando para uma cicatriz em sua garganta e disse que o carrasco foi embora depois de cortá-lo. Segundo ele, os sérvios também quebraram seus dentes quando lançaram um barril de pólvora em sua boca durante o mesmo incidente.

 

O juiz que presidia a sessão, O-Gon Kwon, pediu diversas vezes que Karadzic "continuasse' durante a longa explanação. "Fique ciente de que você não está dando evidências" disse Kwon a Karadzic. "Apenas questione a testemunha".

 

Milosevic

 

A decisão de Karadzic de defender a si mesmo e bombardear a testemunha com perguntas faz eco à estratégia de defesa do antigo presidente da Iugoslávia, Slobodan Milosevic.

 

O julgamento de Milosevic na mesma corte foi abortado sem um veredicto final depois que ele morreu de um ataque do coração em 2006. Ambos os ex-líderes foram acusados de planejar as atrocidades sérvias durante a guerra da Bósnia entre 1992 e 1995. Milosevic foi ainda acusado de crimes contra a Croácia e o Kosovo.

 

Karadzic enfrenta duas acusações de genocídio e outras novas de crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

 

Zulic afirmou que forças sérvias o incapacitaram com repetidas pancadas em 1992 quando o seguravam juntamente com outros muçulmanos expulsos de seus lares e os colocaram em centros de detenção improvisados em uma garagem apertada e em um estábulo.

 

Karadzic afirma que os muçulmanos conspiravam para tranformar a Bósnia em uma república islâmica antes da guerra.

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