Karadzic e EUA tinham acordo, diz ex-chanceler servo-bósnio

Trato asseguraria que ex-presidente não seria perseguido pela justiça em troca de se retirar da vida pública

Efe,

02 de agosto de 2008 | 15h24

O ex-chanceler servo-bósnio Aleksa Buha disse neste sábado, 2, que houve um acordo entre o ex-presidente sérvo-bósnio Radovan Karadzic e o então mediador dos Estados Unidos, Richard Holbrooke. Segundo ele, o trato asseguraria que o ex-líder não seria perseguido pela justiça internacional em troca de se retirar da política e da vida pública.   Veja também: Karadzic diz que chances de julgamento justo são inimagináveis Quem é Radovan Karadzic Cronologia dos conflitos nos Bálcãs  O massacre de Srebrenica  Entenda os conflitos na região   Buha declarou à rádio Beograd que presenciou as conversas a respeito "na noite de 18 e 19 de julho de 1996 em Belgrado", e que também estiveram presentes na reunião o ex-presidente da antiga Iugoslávia Slobodan Milosevic e o então ministro de Assuntos Exteriores iugoslavo, Milan Milutinovic.   "Tratava-se que, com base em um acordo anterior, suponho que entre Milosevic e Holbrooke", que deveria ser formalizado assim "que Karadzic enviasse por escrito um texto em que se retirava de todas as acusações e se comprometia a não se dedicar à política", explicou Buha.   Buha declarou que Karadzic assinou esse documento em Pale, localidade próxima a Sarajevo, onde Karadzic tinha sua sede durante a Guerra da Bósnia (1992-1995).   O ex-chanceler afirmou que o próprio Holbrooke, artífice do Acordo de Dayton para a Bósnia, disse a ele nessa ocasião que, depois desse documento, o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), em Haia, "seria passado para Karadzic."   Segundo Buha, um pacto similar para que Karadzic "desaparecesse" em troca de não ser perseguido aconteceu um ano mais tarde em Banja Luka, no noroeste da Bósnia.   Karadzic afirmou na quinta-feira, em seu primeiro comparecimento perante o TPII, que fez um acordo em 1996 com Holbrooke para se retirar da vida pública em troca de imunidade, e denunciou que agora teme sua vida por causa disso. Holbrooke, no entanto, negou categoricamente a existência de tal pacto.   Karadzic foi capturado em 21 de julho nos arredores de Belgrado, onde vivia sob identidade falsa, e foi extraditado para o TPII na quarta-feira. O ex-presidente servo-bósnio é acusado do genocídio de Srebrenica, do cerco a Sarajevo e de outros graves crimes cometidos durante a Guerra da Bósnia.   Denúncia   O jornal Blic, de Belgrado, cita em sua edição deste sábado uma fonte da CIA que garante que Karadzic teve proteção dos Estados Unidos até 2000, segundo o acordo mencionado por Holbrooke.   A proteção informal foi retirada naquele ano, segundo a fonte, porque foi interceptada uma conversa telefônica de Karadzic que revelou que ele dirigia em segredo o Partido Democrático da Sérvia (DSS), fundado por ele, violando assim o acordo pactuado.  

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