Karadzic falta ao próprio julgamento de crimes de guerra

O ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic se recusou a comparecer ao início de seu julgamento por crimes de guerra na segunda-feira, dizendo que ainda não estava pronto.

AARON GRAY-BLOCK, REUTERS

26 de outubro de 2009 | 12h30

Karadzic, que rejeitou todas as 11 acusações de crimes de guerra cometidos durante a guerra da Bósnia, entre 1992 e 1995, incluindo genocídio, está representando a si mesmo e ameaçou boicotar o julgamento, dizendo que precisa de mais tempo para preparar sua defesa.

O juiz O-Gon Kwon disse que o julgamento seria retomado na terça-feira com as declarações iniciais do processo, e que o tribunal iria designar advogados para Karadzic se ele se recusasse a aparecer.

"Há circunstâncias nas quais julgamentos podem prosseguir na ausência do acusado, que voluntariamente desistiu do direito de estar presente", disse o juiz sul-coreano.

Os juízes estão ávidos para iniciar o julgamento do réu mais importante do tribunal, depois de ele ter sido preso há 15 meses.

A cadeira ocupada por Karadzic durante os procedimentos pré-julgamento no Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia estava vazia, e porque ele não tem um representante legal, as cadeiras ao lado também estavam vazias.

A dissolução da Iugoslávia nos anos 1990 viu algumas das piores atrocidades na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com sérvios, croatas e muçulmanos brigando por terra. Mais de 100 mil pessoas morreram na guerra e vítimas de políticas como a "faxina étnica".

Karadzic é acusado de genocídio pelo massacre de cerca de 8.000 homens e meninos muçulmanos em Srebrenica em julho de 1995. Ele também é acusado pelos 43 meses que durou o cerco à capital bósnia, Sarajevo, pelas forças sérvias, no qual entre 10 mil e 14 mil pessoas foram mortas, segundo várias estimativas.

(Reportagem adicional de Reed Stevenson e David Cutler)

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