Karadzic se cala sobre acusações de massacre na Bósnia

Acusado de genocídio e crimes de guerra, ex-líder servo-bósnio comparece pela 2ª vez ao tribunal da ONU

Agências internacionais,

29 de agosto de 2008 | 09h37

O ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic recusou-se nesta sexta-feira, 29, a declarar-se culpado ou inocente das 11 acusações contra ele apresentadas no Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII), o que levou o juiz Iain Bonomy a registrar declaração de inocência. Karadzic é suspeito de genocídio e crimes contra a humanidade, entre outras graves acusações, durante a Guerra da Bósnia (1992-1995).   Veja também: Quem é Radovan Karadzic Cronologia dos conflitos nos Bálcãs  O massacre de Srebrenica  Entenda os conflitos na região   O magistrado marcou para 17 de setembro a data da próxima audiência, na qual Karadzic pretende contestar a jurisdição do tribunal especial estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Haia, Holanda, para julgar as atrocidades cometidas durante as guerras que levaram à dissolução da Iugoslávia na década passada.   Aparentando calma, o ex-líder sérvio disse que o tribunal era uma "corte da Otan" (Organização do tratado do Atlântico Norte), cujo objetivo é "liquidá-lo". "Eu parei de usar nomes falsos, então acho que todas as partes deveriam fazer o mesmo", disse ele, segundo a BBC.   De acordo com as acusações, ele ordenou o massacre de cerca de 8 mil muçulmanos homens em Srebrenica em julho de 1995, como parte de uma campanha de terror contra as populações muçulmanas e croatas na antiga Iugoslávia. Ele também é acusado do cerco de Sarajevo, que resultou na morte de cerca de 10 mil pessoas e pelo uso de 284 soldados da ONU como escudo em 1995.   Esta foi a segunda vez que Karadzic apareceu diante do tribunal de Haia desde que foi preso, em julho, depois de mais de uma década foragido. O ex-presidente servo-bósnio, que conduz sua própria defesa, também não apresentou recurso em sua primeira audiência, em 31 de julho. Uma vez iniciado o processo, é iniciada a fase de pré-julgamento do caso, que pode durar meses até o início do julgamento.

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