Kasparov é condenado a cinco dias de prisão

Ele é acusado de liderar protestos em Moscou, a apenas uma

EFE

25 de novembro de 2007 | 01h14

O político Garry Kasparov foi condenado neste domingo a cinco dias de prisão, junto com outros ativistas, por liderar uma grande manifestação em Moscou, faltando apenas uma semana para as eleições parlamentares, segundo fontes de sua legenda. No momento da sentença, Kasparov disse à imprensa que a condenação não tem fundamento e que ele foi detido após o fim da manifestação, o que considerou inconcebível. Kasparov é ex-campeão mundial de xadrez e recentemente foi escolhido candidato para as eleições presidenciais de março de 2008 pelo movimento opositor "Outra Rússia". As autoridades da capital russa tinham autorizado a manifestação, conhecida como "Marcha dos Dissidentes", mas haviam advertido que não tolerariam "provocações" por parte dos manifestantes, que somavam três mil. Manifestantes que tentaram impedir a detenção de Kasparov levaram golpes de cassetetes de soldados. Kasparov, que comparou o presidente russo, Vladimir Putin, aos ditadores Francisco Franco e Augusto Pinochet, já havia sido detido em maio, em Samara, durante a cúpula Rússia-União Européia, o que provocou queixas da Chanceler alemã, Angela Merkel. Outros detidos foram Ilya Yashin, líder juvenil do partido liberal Yabloko e Maria Gaidar, filha do ex-primeiro-ministro Yegor Gaidar. O ativista da organização "Pelos Direitos Humanos", Lev Ponomariov, também foi detido e agredido, conforme relatou por telefone celular à agência "Interfax". O porta-voz adjunto da Prefeitura de Moscou, Mikhail Solomontsev, acusou os participantes do protesto de ignorar as advertências oficiais de que a manifestação não poderia virar uma marcha pelas ruas da capital. Ao término da manifestação, vários participantes encaminharam à Comissão Eleitoral Central (CEC) um ofício no qual afirmam que "não reconhecerão os resultados das eleições legislativas de 2 de dezembro" e não considerarão "legítima" a Duma. Cidades russas como São Petersburgo, Samara e Yaroslav acolheram, com maior ou menor êxito, outras manifestações de protesto. O movimento "Outra Rússia" acusa Putin de restringir a liberdade e o pluralismo, amordaçar os meios comunicação e introduzir uma legislação eleitoral que impossibilita o acesso da oposição ao Parlamento.

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