Kosovo declara independência da Sérvia

Líderes da província de maioria albanesa declaram o Kosovo um 'estado independente e soberano'

Reuters,

17 de fevereiro de 2008 | 11h49

O Kosovo declarou nesta domingo, 17, sua independência da Sérvia, finalizando um longo capítulo na violenta separação da Iugoslávia. A proclamação foi feita por líderes da província de maioria albanesa, incluindo antigos guerrilheiros que lutaram pela independência em uma guerra ocorrida entre 1998 e 1999 que tirou a vida de cerca de 10 mil civis.   Veja também: Entenda o que está em jogo com a independência do Kosovo Mapa: a disputa dos Bálcãs    "Nós, os líderes de nosso povo, eleitos democraticamente, proclamamos através desta declaração o Kosovo como um estado independente e soberano", dizia o texto lido no Parlamento pelo primeiro-ministro kosovar, Hashim Thaci.   O Kosovo será uma "sociedade que respeita a dignidade humana" e está comprometido a confrontar "o doloroso legado do passado recente, com um espírito de reconciliação e perdão".   Todos os 109 parlamentares presentes à sessão na capital Pristina votaram a favor. Onze membros de etnias minoritárias do Parlamento, incluindo os sérvios, não compareceram.   Belgrado se opõe à separação. Apoiados pela Rússia, os sérvios juraram nunca desistir do território, que faz parte da história de seu povo há mil anos.   Mas os países do Ocidente apóiam a demanda dos dois milhões de albanos por seu próprio estado, nove anos após a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ir à guerra para salvá-los das forças sérvias.   Kosovo será o sexto estado surgido da antiga Iugoslávia desde 1991, depois de Eslovênia, Croácia, Macedônia, Bósnia e Montenegro. Será o 193º país independente do mundo, mas a Sérvia diz que nunca ganhará um assento nas Nações Unidas.   Os sérvios no norte do Kosovo vão rejeitar a independência, semeando uma separação étnica que pesará sobre o novo estado durante os próximos anos. Menos de 120 mil dos sérvios remanescentes em Kosovo vivem no norte, enquanto os demais estão em encraves protegidos por forças de manutenção da paz da Otan.   A expectativa é de que os Estados Unidos e a maioria dos membros da União Européia reconheçam Kosovo em pouco tempo, apesar de o novo país não ter conseguido a aprovação do Conselho de Segurança da ONU, que foi impedida pela Rússia no ano passado.   A UE vai enviar uma missão de supervisão para tomar o lugar das atuais autoridades da ONU em Kosovo.

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