Kosovo nega que seja precedente para separatistas da Geórgia

Líder kosovar afirma que independência do país não deve justificar autonomia da Ossétia do Sul e Abkházia

Efe e Agência Estado,

27 de agosto de 2008 | 16h33

O presidente do Kosovo, Fatmir Sejdiu, afirmou nesta quarta-feira, 27, que a independência de seu país não pode servir como justificativa ao reconhecimento da Ossétia do Sul e da Abkházia como Estados autônomos. Segundo a agência sérvia Tanjung, o chefe de Estado destacou que sempre disse que Kosovo "não pode servir como precedente para outras zonas de conflito." Veja também:Rússia deve evitar nova Guerra Fria, diz Reino UnidoEntenda o conflito separatista na Geórgia Sobre o reconhecimento da independência da Ossétia do Sul e da Abkházia por parte da Rússia, Sejdiu se limitou a declarar que o "Kosovo, nesta questão, está do lado das grandes potências mundiais". O presidente rejeitou que o anúncio russo influa negativamente no processo de reconhecimento internacional do Kosovo como país soberano. "Acho que o processo de reconhecimento vai continuar com o ritmo de agora. Penso que podemos esperar novos reconhecimentos", declarou Sejdiu. Kosovo proclamou sua independência de forma unilateral no dia 17 de fevereiro e até agora foi reconhecido por 46 Estados, entre eles os Estados Unidos e a maioria dos membros da União Européia. Posição sérvia Enquanto isso, a Sérvia afirmou que o apoio à independência de Kosovo por países ocidentais foi um precedente para o reconhecimento de duas províncias separatistas da Geórgia pela Rússia. Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, Belgrado afirma que o reconhecimento da independência "ilegal" de Kosovo foi um "precedente" que "desestabilizou outras regiões do mundo." Belgrado não criticou diretamente Moscou, um dia após o presidente russo, Dmitri Medvedev, reconhecer a independência das regiões separatistas da Geórgia. O governo russo apoiou a Sérvia no impasse sobre Kosovo. "A Sérvia respeita a lei internacional e defende a preservação da soberania e da integridade territorial de Estados reconhecidos internacionalmente, primeiramente da Sérvia", aponto o comunicado.  Segundo analistas, Belgrado adota a postura de não criticar a Rússia por temer que o governo russo retire sua oposição à independência de Kosovo no Conselho de Segurança da ONU. Para a Rússia, os países ocidentais - como os Estados Unidos e a maior parte da União Européia - contradizem seus próprios argumentos ao apoiar ao mesmo tempo a integralidade da Geórgia e a soberania de Kosovo.

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