Lei sobre genocídio faz Turquia rever relações com a França

A Turquia decidiu na quinta-feira cancelar todos os seus contatos políticos, econômicos e militares com a França, em retaliação por um projeto de lei que prevê punições para quem negar a ocorrência de genocídios - inclusive o massacre de armênios pelo Império Otomano em 1915.

JOHN IRISH E IBON VILLELABEITIA, REUTERS

22 de dezembro de 2011 | 18h47

O projeto foi aprovado na Assembleia Nacional (Câmara dos Deputados), e seguirá em 2012 para o Senado.

Falando a jornalistas depois da votação, o chanceler francês, Alain Juppé, pediu à Turquia que aja com "bom senso e moderação".

Ancara historicamente nega que o Império Otomano, antecessor da Turquia moderna, tenha cometido genocídio contra a população armênia. O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, disse que o projeto francês faz "política baseada no racismo, na discriminação e na xenofobia".

O projeto foi apresentado por políticos governistas, e Erdogan acusou o presidente da França, Nicolas Sarkozy, de sacrificar as boas relações "em nome de cálculos políticos" - uma insinuação de que Sarkozy, candidato a um novo mandato em 2012, estaria de olho no eleitorado francês de origem armênia.

Erdogan disse que a Turquia vai suspender todas as reuniões de caráter político, econômico e militar entre os dois países, que são membros da Otan, além de cancelar autorizações para que aviões militares pousem e navios de guerra atraquem no território turco.

Juppé disse que a Turquia também convocou seu embaixador em Paris, decisão que ele lamentou.

"O que espero agora é que nossos amigos turcos não reajam com exagero à decisão da Assembleia Nacional francesa. Temos muitas coisas nas quais trabalharmos juntos", afirmou.

A Armênia diz que 1,5 milhão de cristãos armênios foram mortos durante a Primeira Guerra Mundial no território que hoje é o leste da Turquia, e que isso teria sido uma política deliberada de limpeza étnica por parte do governo otomano. Muitos historiadores e alguns Parlamentos acatam essa tese.

Sucessivos governos turcos e a vasta maioria da população local se sentem insultados pela acusação de genocídio. Ancara argumenta que houve numerosas mortes em ambos os lados durante o conflito.

"Não entendo por que a França quer censurar minha liberdade de expressão", disse à Reuters em frente à Assembleia o ativista Yildiz Hamza, presidente da associação Montargis, que representa cerca de 700 famílias turcas na França.

Antes da votação, cerca de 3.000 cidadãos turcos de origem francesa realizaram um protesto diante do Parlamento. A votação ocorreu exatamente 32 anos depois do assassinato de um diplomata turco por militantes armênios no centro de Paris.

A França aprovou em 2001

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