Sang Tan/AP
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Liberais-democratas iniciam negociações com Partido Trabalhista

Acordo de Clegg com partido de Gordon Brown ainda deixaria Parlamento sem maioria absoluta

Efe,

10 Maio 2010 | 19h29

Delegações do Partido Trabalhista e do Partido Liberal Democrata iniciaram na noite desta segunda-feira, 10, negociações formais para tentarem encontrar pontos em comum que os permitam acordar a possível criação de um futuro governo no Reino Unido.

 

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Fontes do nº 10 de Downing Street disseram a uma agência local de notícias que os contatos começaram horas depois que o primeiro-ministro, Gordon Brown, anunciou sua intenção de renunciar como líder do Partido Trabalhista com o objetivo de abrir o caminho para uma aliança com os liberais-democratas.

 

A delegação trabalhista é presidida pelo ministro de Empresas, Peter Mandelson, e integrada pelo número dois do trabalhismo, Harriet Harman, e os ministros de Transporte, Andrew Adonis, de Escolas, Ed Bals, e Energia, Ed Miliband.

 

Os contatos com o partido de Nick Clegg tiveram a aprovação do governo, que se reuniu em caráter urgente depois de Brown ter surpreendentemente anunciado sua decisão de abrir mão da sucessão no trabalhismo.

 

O gabinete também acordou que o Comitê Nacional Executivo do Partido Trabalhista será consultado e que nenhum de seus membros se postulará como sucessor de Brown a frente do partido enquanto não tenha sido solucionado o problema da formação do novo governo.

 

O processo de negociação com os liberais-democratas pode se prolongar por dias, posto que o grupo parlamentar trabalhista também convocou uma reunião para avaliar esses contatos, que são feitos paralelamente aos que os "libs-dems" ainda mantêm com os conservadores.

 

O responsável da pasta de Exteriores do Partido Conservador e membro da comissão negociadora, William Hague, confirmou que o líder "tory", David Cameron, e Clegg voltaram a se falar nesta segunda por telefone durante 25 minutos, depois que os conservadores responderam com uma nova oferta ao anúncio da renúncia de Brown.

 

Hague garantiu que Clegg não disse nada "definitivo" na conversa, e o que ficou claro é que os liberais-democratas "querem participar em uma coalizão com um partido ou com o outro".

 

Os conservadores agiram rápido para tentarem evitar que os trabalhistas tomassem a iniciativa com uma oferta que será difícil de ser rechaçada pelos liberais-democratas: um acordo do governo, sem Brown à frente, com a almejada reforma eleitoral para que o Reino Unido tenha um sistema proporcional.

 

A resposta "tory" foi "fazer um esforço extra", nas palavras de Hague, e se comprometer a convocar um referendo sobre a reforma eleitoral no marco de um "governo de coalizão", no qual os liberais-democratas teriam chances de serem ministros em Downing Street.

 

Em meio à incerteza gerada pelo primeiro Parlamento britânico sem uma maioria absoluta - situação sem precedentes desde 1974 - Hague disse que os "liberais-democratas têm de tomar uma decisão urgente" sobre quem irão apoiar.

 

As cadeiras conquistadas pelos trabalhistas e pelos "lib-dems" somam 315 (258 do primeiro e 57 do segundo partido), o que os deixam a 11 deputados da maioria absoluta. Assim, eles precisariam dos nacionalistas escoceses, gauleses e norte-irlandeses.

 

Os "tories" conseguiram 306 deputados; assim, uma coalizão com os liberais-democratas os situariam 37 cadeiras acima da maioria absoluta que garantiria uma governo estável.

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